ARTICULISTAS

O paradoxo dos tempos modernos

Larissa Correia
Publicado em 12/07/2023 às 18:34
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Hoje venho convidar vocês para uma breve reflexão. Pare por um instante o ritmo frenético que está sua vida e leia vagarosamente, a fim de reavaliar alguns conceitos.

Há algum tempo venho me questionando em qual momento a sociedade decidiu que seria melhor e mais satisfatório trabalharmos mais, juntarmos riquezas, vestirmos máscaras sociais e, simplesmente, esquecermos de agregar valor na vida das pessoas. Estamos vivendo em um ritmo que torna humanamente impossível conseguir trabalhar o quanto julgamos necessário, ir à academia regularmente, estudar, ler livros e ainda dar atenção aos familiares. É hora de tirar o pé do acelerador um pouco. É noticiada diariamente a quantidade de acidentes de trânsito que têm acontecido, não somente aqui na cidade, mas em todo o país, devido à pressa. Estamos sempre apressados, sempre com os olhos no relógio... e no smartphone; não podemos esquecer do smartphone! Não nos desconectamos nem mesmo para dormir, de tempo em tempo damos uma checada no e-mail e nas redes; é inadmissível que alguém tenha que esperar por algumas horas por uma resposta, mas também é angustiante quando não chega nenhuma novidade.
Todos os dias, ao sair de casa, criamos uma lista mental de todas as nossas tarefas a realizar no dia, não importa a qual custo. Esquecemos que o dia tem apenas 24 horas e que, dentro dessas horas disponíveis, deve haver tempo para descanso de qualidade, simplesmente fazer nada. Ninguém fala do quão saudável é isso. Há saúde por trás do ócio, e é preciso tomar consciência disso. O número de pessoas depressivas e potenciais suicidas é assustador, e isso nos deveria levar à seguinte reflexão: qual a razão de haver tantas pessoas em dor? Uma dor tão absurda, onde acabar com a própria vida chega a parecer a melhor saída. Quando será que iremos nos dar conta de que nenhum ser humano nasceu para ser produtivo o tempo todo? É preciso fazer propagandas e outdoors sobre isso. É importantíssimo que falemos urgentemente sobre isso, a cada dia que nasce, um dia a menos temos de vida. O amanhã não nos pertence.

Que riqueza é essa que queremos acumular a custo da nossa saúde e sanidade? Não há nada tão importante e tão irremediável quanto viver, pois a juventude passa e a velhice cobra seu preço. A rotina massacrante tem nos engolido. Temos tanta ânsia que não sabemos mais listar os nossos melhores amigos, aqueles com quem podemos contar nos dias turbulentos. Estamos nos medicando demais e conversando menos, ouvindo menos. Expor sentimentos? Resolvemos isso na terapia. Me questiono... Até quando?

Vale ressaltar que pessoas como nós, aceleradas e ditas “workaholic”, estão educando crianças que estão absorvendo, através dos exemplos que presenciam; que o dinheiro vale mais que as boas relações. Será que é isso mesmo o que queremos que reproduzam mais tarde? Sejamos pais que abençoam, que ensinam os filhos a se relacionarem, a ser pessoas de bem e, acima de tudo, a valorizar apenas os bons momentos e as pessoas que os amam, até porque tudo o que tem preço se perde com o tempo! Até porque, o que nos torna alguém memorável é a pessoa que fomos e as vidas que impactamos; patrimônios geram desavenças e nada mais. Que nos lembremos diariamente de que a vida é um passeio, para o qual só possuímos uma passagem, e que no fundo só faz sentido de verdade aquilo que nos faz sentir!

Larissa Correia
Jornalista

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