EDUCAÇÃO

174 alunos aguardam profissional de apoio na rede municipal de Uberaba

Sindemu estima necessidade de mais 129 profissionais para atender demanda já identificada pela Educação Inclusiva

Débora Meira
Publicado em 22/08/2026 às 09:55Atualizado em 22/08/2026 às 10:05
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Ao menos 174 alunos da rede municipal de ensino de Uberaba aguardam a disponibilização de um profissional de apoio, segundo dados apresentados pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) ao Sindicato dos Educadores Municipais de Uberaba (Sindemu). De acordo com a entidade, os estudantes já passaram por avaliação do Departamento de Educação Inclusiva e estão entre aqueles que têm necessidade de acompanhamento reconhecida pela rede. 

Atualmente, 1.114 alunos contam com profissionais de apoio nas escolas municipais. Para atender esse grupo, são 843 profissionais em atuação, segundo os dados apresentados ao sindicato. 

A quantidade de profissionais não corresponde diretamente ao número de estudantes atendidos. Conforme a organização adotada pela rede, um mesmo profissional pode acompanhar até três alunos, de acordo com as necessidades de cada estudante e as condições de atendimento. 

A partir dos dados recebidos da Semed, o Sindemu estima que seriam necessários mais 129 profissionais de apoio para atender à demanda atualmente identificada. O levantamento mostra uma diferença significativa na distribuição dos profissionais entre as etapas de ensino. 

Na Educação Infantil, são cerca de 350 profissionais de apoio, que atuam desde o berçário até o Pré 2. Do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, são aproximadamente 327 profissionais. Já nos anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, o número cai para cerca de 163 profissionais. 

A redução chama a atenção do sindicato porque parte dos estudantes que necessita de acompanhamento permanece na rede municipal durante a progressão escolar. “Se você analisa que os que estão na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental dão cerca de 700 crianças e vão continuar ainda por mais uns cinco anos, no mínimo, na rede municipal para cursar o sexto ao nono, isso não é uma coisa temporária”, afirmou a presidente do Sindemu, Thaís Villa. 

Para o Sindemu, é necessário entender quais fatores explicam a diferença na quantidade de profissionais entre as etapas de ensino. 

Segundo Thaís, o acompanhamento nos anos finais pode apresentar desafios adicionais em razão da quantidade de disciplinas e da organização da rotina escolar. “Quando vai do sexto ao nono, você tem diversas disciplinas, ciências, matemática, geografia. E, às vezes, um único profissional não dá conta de todas essas especialidades para aquela criança”, explicou. 

O sindicato pretende discutir os números com a Secretaria Municipal de Educação e buscar informações sobre os critérios utilizados para definir a quantidade de profissionais necessária em cada etapa. Outro ponto levantado pelo sindicato é a possibilidade de crescimento da demanda por profissionais de apoio nos próximos anos. 

Segundo Thaís, o acesso das famílias a avaliações e laudos que identificam necessidades específicas pode contribuir para o aumento do número de estudantes que passam a necessitar desse acompanhamento. “Isso não é algo temporário na demanda da educação. Tende a aumentar, inclusive, pelo acesso aos laudos”, afirmou. 

Diante desse cenário, o Sindemu também defende a criação de um cargo específico para profissionais de apoio. Segundo a entidade, atualmente a função não integra o quadro do magistério municipal como uma carreira própria. 

Para o sindicato, a criação de um cargo específico permitiria estruturar de forma permanente uma atividade que já faz parte da rotina das escolas municipais. Os números apresentados pela Semed também precisam ser analisados considerando a forma como o atendimento é organizado. 

Os 174 alunos que aguardam profissional de apoio não representam, necessariamente, a necessidade de 174 novas contratações. Isso porque um mesmo profissional pode acompanhar mais de um estudante, conforme as necessidades individuais e a organização definida pela rede. 

Por isso, a estimativa apresentada pelo Sindemu é de 129 profissionais adicionais para atender à demanda identificada. Para a entidade, o planejamento deve considerar não apenas o número de estudantes que aguardam atendimento, mas também as necessidades específicas de cada aluno, a distribuição das turmas e as características de cada etapa de ensino. 

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