Cerca de 75% das 95 academias ao ar livre de Uberaba apresentam algum tipo de problema, segundo diagnóstico realizado pela Fundação Municipal de Esporte e Lazer (Funel). O percentual representa aproximadamente 71 espaços espalhados pelas praças da cidade. Segundo o presidente da Fundação, Carlos Dalberto Júnior, o Belzinho, parte dos equipamentos é antiga e já não possui peças disponíveis para reposição.
De acordo com Belzinho, o levantamento das condições das academias já foi realizado e, agora, a Funel avalia a melhor estratégia para recuperar os espaços. “Nós temos 95 academias. Hoje, nós temos em torno de 75% dessas academias que têm problemas. A gente já tem esse diagnóstico”, afirma.
Segundo o presidente, uma das dificuldades encontradas está relacionada à idade dos equipamentos. Em muitos casos, não é possível simplesmente substituir uma peça danificada, já que os modelos antigos deixaram de ser fabricados. “Agora, a dificuldade é que, por exemplo, a maioria dessas academias são antigas, então você não tem peça de reposição”, explica.
Diante desse cenário, a Funel avalia a possibilidade de substituir conjuntos inteiros de equipamentos, em vez de realizar apenas reparos pontuais. Segundo Belzinho, uma academia nova custa, em média, R$ 22 mil. Considerando o valor informado pela Fundação e as aproximadamente 71 unidades com problemas, uma eventual substituição de todas elas poderia representar um investimento superior a R$ 1,5 milhão.
O cálculo é apenas uma estimativa, feita com base no custo médio informado pelo presidente e no número aproximado de academias com problemas. A Funel ainda não informou quanto pretende investir nem apresentou um cronograma para a substituição dos equipamentos. Além das condições físicas dos aparelhos, a Fundação também pretende avaliar a utilização das academias antes de decidir quais espaços deverão receber novos equipamentos.
Belzinho afirmou que algumas academias instaladas nas praças acabam sendo pouco utilizadas para a finalidade para a qual foram criadas. “Tem muitas academias que hoje são um enfeite da praça. A realidade é isso”, disse.
Segundo ele, em determinados locais, os equipamentos acabam sendo utilizados mais como brinquedos por crianças do que para a prática de exercícios. A avaliação, portanto, deve considerar não apenas o estado dos aparelhos, mas também a demanda existente em cada praça.
Uma das alternativas estudadas pela Funel é aproveitar os profissionais que já trabalham com o programa de ginástica orientada em praças para também acompanhar o uso das academias ao ar livre.
Atualmente, segundo o presidente, 24 espaços contam com atividades orientadas. As aulas incluem alongamento e exercícios físicos adaptados principalmente ao público da terceira idade. “A gente já tem a ginástica orientada, são 24 espaços. Então, você já tem o pessoal da terceira idade e um profissional nosso que faz ali 40 minutos, 45 minutos de ginástica orientada”, explica.
A ideia, segundo Belzinho, é associar esses profissionais aos aparelhos existentes nas praças, permitindo que os usuários também tenham orientação durante a utilização dos equipamentos.
A presença de profissionais de Educação Física nas academias ao ar livre já foi adotada em Uberaba em gestões anteriores.
Em reportagem publicada pelo Jornal da Manhã em março deste ano, a Funel informou que as academias passaram a contar com placas explicativas sobre o funcionamento dos aparelhos, enquanto o acompanhamento profissional deixou de ser realizado de forma ampla. Na época, a Fundação informou que a cidade tinha 90 academias ao ar livre e que a quantidade de equipamentos dificultava a presença de profissionais em todos os locais.
A mesma reportagem mostrou que o programa Boa Praça, Boa Forma oferece aulas gratuitas de ginástica orientada em 24 praças, inclusive em locais que possuem academias ao ar livre.
Agora, a proposta apresentada por Belzinho é aproximar as duas iniciativas, utilizando os profissionais que já atuam nesses 24 espaços também para orientar o uso dos aparelhos. A situação das academias ocorre em meio a um cenário mais amplo de dificuldades de manutenção dos equipamentos esportivos públicos.
Em julho, o JM mostrou que a Funel enfrentava problemas recorrentes de vandalismo em diferentes espaços da cidade, incluindo equipamentos de academias ao ar livre. Segundo a Fundação, os danos frequentes obrigam as equipes a retornar aos mesmos locais para realizar novos reparos e aumentam a pressão sobre a manutenção dos cerca de 225 espaços esportivos e de lazer sob responsabilidade da instituição.
A Fundação ainda deverá definir quais praças têm maior demanda e onde a presença de profissionais de Educação Física poderá ser associada às academias já existentes.