Neto Talmeli
Greve ainda provocou grandes filas ontem nas agências bancárias atingidas pelo movimento
Após 31 dias de greve, bancários de todo o país voltam às atividades hoje. Na noite de quarta-feira (5), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou uma nova proposta para o Comando Nacional dos Bancários, em São Paulo. O comando orientou os trabalhadores a aceitarem, mas encaminhou a proposta para que fosse avaliada pelos bancários por meio de assembleia na noite de ontem.
O acordo de dois anos prevê 8% de reajuste mais abono de R$3,5mil para 2016. No vale-alimentação e no auxílio-creche ou babá, os reajustes são de 15% e 10%, respectivamente. Para 2017, a Fenaban aceitou repor integralmente a inflação, além de subir de 0,5% para 1% de aumento real nos salários e em todas as verbas.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Uberaba, Baltazar Luzia Pinto, disse que a assembleia foi para consultar a base para saber se a proposta seria aceita ou não. “Os bancários não são radicais e, embora o movimento esteja coeso e firme, nós também não queremos e não gostamos de fazer greve, mas somos obrigados. Aprovamos porque houve anistia total dos dias paralisados”, explica o sindicalista.
Complicações. Antes mesmo do quinto dia útil, as filas nos bancos e agências lotéricas deixaram muitos correntistas e usuários estressados. O zelador André Luís da Costa permaneceu ontem por mais de duas horas na fila do Bradesco, enquanto aguardava para receber no caixa eletrônico. Assim como André, o aposentado Ari Luís de Paiva reclamou por ter de aguardar por várias horas em pé. “Além da idade já avançada, a maioria das pessoas tem problemas de saúde e é obrigada a ficar na fila sem uma cadeira para se sentar, não se tem uma água para beber, não tem banheiro, então fica um tumulto. Ficou muito bagunçado. O pessoal aqui estava até sem saber se teria dinheiro no caixa para efetuar os pagamentos. É um absurdo”, avalia o aposentado Ari.
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