Servidor do Departamento de Controle de Zoonoses denuncia a falta de condições de trabalho no combate à dengue e abusos cometidos pelos superiores do serviço. Conforme divulgado na coluna “Alternativa”, desta sexta-feira (03), dentre as principais queixas do denunciante, que preferiu ter a identidade preservada, estão as punições dos chefes, a falta de EPI, remuneração abaixo do piso da categoria, escassez de material de trabalho como sacolas plásticas e protetores solar, além das dificuldades para o transporte.
Segundo o denunciante é necessário o prefeito Anderson Adauto tomar algum tipo de providência em relação aos absurdos praticados no Departamento de Controle de Zoonoses. De acordo com o relato, durante a seleção dos novos agentes que vão atuar no controle de endemias, é realizada prova e curso preparatório, ofertado pelo Ministério da Saúde. Porém, isto não ocorre. “Na verdade, o funcionário ganha uma bolsa. A remuneração é de R$ 200 a 250 reais. Não realizamos este curso ainda, e quem ficou com este dinheiro (bolsa)? E tem outro problema, os novos agentes foram treinados por funcionários que já trabalham há mais tempo. E eles ensinam muita coisa errada”, destaca o denunciante, acrescentando que os superiores punem agressivamente.
Ele destaca que o piso salarial dos agentes de combate a endemias no país é de R$930. No entanto, o município paga apenas R$545, mais o vale alimentação de 210 reais. “Outro absurdo é que somos obrigados a catar todo o lixo das residências e terrenos baldios, mas o município não está comprando saco de lixo desde novembro, para acomodar esse lixo. Então, temos que pedir ao morador que nos dê sacolinhas plásticas”, reclama o denunciante, incluindo que os EPIs não são fornecidos adequadamente. “Quando comecei a trabalhar, há quatro meses, recebi o uniforme usado e rasgado, a bolsa furada, e o pior, a botina, não era o meu número. Na primeira semana, reclamei para o guarda-chefe, que a botina estava me machucando e que haviam caído duas unhas. Ele disse que era só até eu me acostumar”, reclama da situação vivida. Segundo a pessoa, por forçar o uso do calçado foi provocada uma lesão interna nos pés. “Agora vivo à base de remédios fortíssimos, a dor é insuportável”, enfatiza.
Ele informa ainda que quando os agentes finalizam o serviço em uma determinada área e necessitam se descolar para outra, o Departamento avisa que uma van realizará o deslocamento. “Nunca vem! Aí, temos que deslocar somente com o vale-transporte e que muitos ainda não têm. Depois, quando as pessoas ficam doentes, os superiores ameaçam transferi-las de área, para um lugar bem longe. É muito sofrido para o funcionário”, ressalta, acrescentando que é uma forma de forçar o servidor a pedir exoneração.
O denunciante observa que apesar da falta de funcionários para realizar o serviço de controle da dengue em Uberaba, os poucos que estão trabalhando, tiveram até o corte no adicional de insalubridade. “Os que são contratados como braçais também trabalham com o veneno. Mas eles não recebem. Para a Administração fica mais barato. Em novembro recebemos uma carta dizendo que não receberíamos o adicional. Alguns recorreram”, conclui o servidor.