Com cerca de dois meses de tratamento e acompanhamento no HVU, primata diagnosticada com diabetes foi transferida para local onde seguirá recebendo cuidados permanentes e manejo especializado
Após semanas de tratamento no Hospital Veterinário da Uniube, a macaca Chica foi encaminhada a um mantenedouro autorizado, onde seguirá recebendo cuidados especializados. (Foto/Reprodução)
A macaca-prego Chica, conhecida pelos frequentadores da Mata do Ipê, em Uberaba, foi transferida para um mantenedouro de fauna silvestre, após semanas de tratamento no Hospital Veterinário da Universidade de Uberaba (HVU). A mudança de destino ocorreu por decisão técnica e após a confirmação de que o animal não poderá retornar à natureza em razão de um quadro de diabetes mellitus, condição crônica que exige acompanhamento permanente.
A destinação foi definida pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), responsável por indicar um mantenedor de fauna silvestre habilitado para receber a primata. No novo local, Chica passará a viver em recinto adaptado e seguirá recebendo tratamento médico, alimentação controlada e monitoramento especializado.
Segundo o médico-veterinário Cláudio Yudi Kanayama, especialista em animais silvestres que integrou a equipe responsável pelo atendimento no HVU, a transferência representa uma etapa importante no processo de cuidado com o animal. “Hoje é um dia muito especial. O IEF conseguiu um mantenedor da fauna que pudesse recebê-la em um recinto, para que ela continue sendo cuidada. Essa parceria é muito importante para manter animais como a Chica sob cuidados especiais”, destacou.
Responsável pelo mantenedouro que passou a abrigar o animal, João Paulo Vieira explica que o espaço foi preparado para garantir a adaptação da primata da forma menos traumática possível. “Pelo desenvolvimento do diabetes, ela não pode retornar à natureza. Com essa parceria com o Hospital Veterinário e o IEF, a macaquinha veio destinada ao nosso mantenedouro para que possamos continuar cuidando dela. O recinto conta com enriquecimento ambiental planejado com nosso biólogo responsável técnico, para garantir que ela receba os cuidados adequados”, afirmou.
Do resgate ao diagnóstico
Chica foi resgatada em janeiro deste ano na Mata do Ipê, após ser encontrada debilitada, e encaminhada ao HVU. Ao dar entrada na unidade, o animal apresentava magreza acentuada, desidratação e leve anemia. Exames clínicos e de imagem realizados pela equipe veterinária identificaram inicialmente um quadro de pneumonia, tratado com antibióticos e medicamentos anti-inflamatórios.
Com a estabilização do quadro respiratório, os profissionais deram continuidade à investigação clínica. Após cerca de três semanas de acompanhamento e a realização de exames complementares, incluindo a dosagem de hemoglobina glicada, foi confirmado o diagnóstico de diabetes mellitus — condição considerada rara em primatas de vida livre e que exige tratamento contínuo, controle rigoroso da dieta e monitoramento permanente.
Diante da necessidade de medicação diária e acompanhamento especializado, a reintrodução do animal à natureza foi descartada. Especialistas apontam ainda que a doença pode estar relacionada à alimentação inadequada oferecida por visitantes da mata. O caso reforça o alerta de que animais silvestres não devem ser alimentados em parques ou áreas naturais, prática que pode provocar doenças, alterar o comportamento das espécies e comprometer sua sobrevivência.