CIDADE

Arcebispo vê naturalidade em renúncia de papa e cobra diálogo

Nesta segunda-feira, o papa Bento XVI entrou para a história como um dos poucos que renunciaram ao papado...

Thassiana Macedo
Publicado em 13/02/2013 às 09:30Atualizado em 19/12/2022 às 14:44
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Nesta segunda-feira (11), o papa Bento XVI entrou para a história como um dos poucos que renunciaram ao papado. O anúncio foi feito pessoalmente durante reunião com cardeais no Vaticano. Na oportunidade, o pontífice disse que deixa o cargo por não ter mais forças para exercê-lo. Para arcebispo dom Paulo Mendes, da Arquidiocese de Uberaba, embora a decisão tenha causado surpresa em todos os fiéis pelo mundo, é uma atitude natural para alguém que se apresenta nas condições de Bento XVI.

Dom Paulo Mendes explica que a mídia citou quatro papas renunciantes, mas a história revela que cerca de dez já seguiram este caminho, pois está no Código de Direito Canônico, documento que rege as leis da Igreja Católica, que o papa pode renunciar a seu cargo se sentir-se incapaz de continuar, principalmente em relação à saúde, tanto física quanto mental. O próximo passo, após a renúncia oficial dia 28 de fevereiro, será convocar o conclave, reunião em que os cardeais com menos de 80 anos escolhem o novo papa. Até lá podem ocorrer todos os trâmites necessários, tornando a escolha do próximo pontífice mais rápida que o esperado, o que não prejudicará a Jornada Mundial da Juventude, prevista para ocorrer nos dias 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro.

Quanto ao perfil do novo escolhido, dom Paulo Mendes diz que os cardeais decidem quando sentem que um, entre eles, tem condição de assumir o cargo, e a idade não é um critério essencial. “Bento XVI é um dos maiores intelectuais que a Igreja já teve. É claro que a troca de papas com frequência até prejudica a caminhada da Igreja, mas não é possível dizer se o próximo será mais novo ou não”, afirma. Por ter exercido a função de prefeito da Congregação da Fé por muito tempo, o arcebispo explica que Bento XVI recebeu um rótulo negativo, já que a congregação é conhecida pela característica repressiva da doutrina. “Por isso foi visto como conservador e tradicionalista, mas ele foi capaz de dialogar com a realidade difícil que a Igreja vem enfrentando, como a questão da pedofilia. Nesse sentido, o novo papa terá que ser alguém capaz de dialogar com a nova cultura e a nova maneira de ser da sociedade”, completa

dom Paulo Mendes.

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