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Artista questiona retirada de esculturas zebuínas sem comunicação prévia

Ao Jornal da Manhã, Gustavo Penna afirma que a retirada, mesmo que para manutenção, não foi comunicada a ele, que é o autor da obra

Débora Meira
Publicado em 06/04/2026 às 14:59
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Para o artista, a retirada das esculturas representa um movimento oposto ao conceito original (Foto/Reprodução)

Para o artista, a retirada das esculturas representa um movimento oposto ao conceito original (Foto/Reprodução)

A retirada das esculturas de bois das raças zebuínas da Praça Vicentino Rodrigues da Cunha, em frente ao Parque Fernando Costa, em Uberaba, não foi comunicada ao artista que a idealizou. Ao Jornal da Manhã, Gustavo Penna revelou seu descontentamento com a decisão e disse ter se sentido desrespeitado pela forma como o processo foi conduzido. A reportagem acionou a ABCZ sobre a manifestação do artista e, em nota, a entidade confirmou que as esculturas serão recolocadas após manutenção. 

Segundo Gustavo Penna, o projeto teve como objetivo valorizar as raças zebuínas, símbolo da pecuária brasileira e da identidade local. “A ideia foi colocá-las no alto, livres, como um elogio. Isso é comum em várias cidades do mundo, como Veneza, Roma e Paris, onde aquilo que é valorizado é elevado”, explica.  

Para o artista, a retirada das esculturas representa um movimento oposto ao conceito original. “Me parece estranho e paradoxal rebaixar algo que foi pensado para exaltar”, ressalta. 

Penna também destacou que o projeto foi aprovado por órgãos competentes, incluindo o patrimônio histórico e a Prefeitura, e passou por discussão com a comunidade. Ele lamentou que não tenha sido procurado previamente para tratar da intervenção. “Sempre estive aberto ao diálogo. Meu trabalho é de valorização, não de enfrentamento”, disse. O artista ainda manifestou o desejo de que o assunto seja reconsiderado e que haja retomada do diálogo institucional. 

A polêmica ocorre em meio a discussões conduzidas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que investiga possíveis impactos ao patrimônio cultural do município. As esculturas são reconhecidas pelo Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau), e qualquer intervenção no local depende de autorização prévia. 

Durante audiência recente, representantes da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) solicitaram prazo até 10 de maio para avaliar as cláusulas de um possível Termo de Ajuste de Conduta (TAC). O pedido leva em conta a organização da 91ª Exposição, evento tradicional do setor agropecuário na cidade. 

Além da retirada das esculturas, a Fundação Cultural de Uberaba apontou problemas de drenagem na praça, defendendo que a questão também seja incluída nas discussões sobre o espaço. 

Em nota, a ABCZ informou que as esculturas foram retiradas temporariamente para manutenção, com previsão de recolocação. A entidade acrescentou que já adota providências cabíveis em relação ao caso, incluindo tratativas junto ao artista e ao Ministério Público. 

O impasse segue em análise e deve voltar a ser discutido após o prazo estabelecido para manifestação da entidade.

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