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Autismo “invisível”: especialista alerta que mulheres e adultos ainda são subdiagnosticados

Mesmo com aumento de diagnósticos, perfis com poucos sinais seguem sem identificação e convivem com impactos como ansiedade e dificuldades sociais

Juliana Corrêa
Publicado em 12/04/2026 às 14:46
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Muitos casos ainda passam despercebidos, especialmente entre mulheres e adultos (Foto/Divulgação)

Apesar do aumento no número de diagnósticos e da maior visibilidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA), muitos casos ainda passam despercebidos, especialmente entre mulheres e adultos. O fenômeno, conhecido como subdiagnóstico, revela que, mesmo com avanços na informação, identificar o autismo continua sendo um desafio em perfis menos evidentes. 

De acordo com a neurologista Christiane Borges Margato, o cenário atual é mais positivo do que há alguns anos, quando o diagnóstico era ainda mais restrito. Hoje, mais pessoas reconhecem sinais e procuram ajuda médica, o que tem contribuído para ampliar a identificação. Ainda assim, há situações em que o transtorno permanece oculto, principalmente em indivíduos com poucos sintomas. 

“Adultos com poucos sinais podem passar a vida tentando se adaptar, desenvolvendo estratégias para lidar com as dificuldades. Eles acabam ‘camuflando’ o autismo, mas muitas vezes isso acontece às custas de sofrimento, com ansiedade e depressão associadas”, explica. Segundo ela, esse esforço contínuo para se adequar socialmente pode dificultar o reconhecimento do transtorno ao longo da vida. 

Entre as mulheres, o subdiagnóstico também é mais frequente. Isso ocorre, em parte, por diferenças na forma como os sintomas se manifestam. A maior facilidade de comunicação, em comparação aos homens, pode mascarar dificuldades típicas do espectro, especialmente nas interações sociais, tornando os sinais menos evidentes para familiares e profissionais. 

Na vida adulta, os desafios se tornam mais evidentes, sobretudo no ambiente de trabalho e nas relações interpessoais. A principal dificuldade está na comunicação e na interpretação de nuances sociais, como ironias, expressões faciais e linguagem não verbal. Além disso, questões sensoriais, como excesso de ruído ou estímulos visuais, podem gerar desconforto significativo. 

A médica destaca que, em ambientes mais estruturados e com menos estímulos, muitos conseguem desenvolver plenamente suas habilidades. “A maior dificuldade é a interação social. Muitas pessoas autistas são mais literais, têm dificuldade de entender ironias ou mudanças sutis na expressão das pessoas. Isso pode gerar conflitos, especialmente no ambiente de trabalho, onde essas nuances são frequentes”, explica. 

Outro ponto de atenção é o impacto de mitos ainda presentes na sociedade. A ideia de que pessoas autistas são incapazes é considerada, pela especialista, uma das mais prejudiciais. Esse tipo de visão contribui para o preconceito e limita oportunidades, especialmente no campo educacional e profissional. 

Para a neurologista, é fundamental reconhecer que o autismo não define o potencial de uma pessoa. Ao contrário, indivíduos no espectro podem apresentar alto nível de desempenho em áreas de interesse, especialmente quando recebem apoio adequado. O avanço da informação, aliado à redução de estigmas, é apontado como caminho para uma inclusão mais efetiva e para o reconhecimento das capacidades dessas pessoas. 

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