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Bullying, ameaças e adoecimento psíquico: violência escolar cresce no radar de Uberaba

Com protocolo municipal em vigor, rede de proteção amplia monitoramento e define fluxos conforme a gravidade de cada caso

Débora Meira
Publicado em 12/04/2026 às 15:05
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O aumento das notificações foi destacado por representantes do município, que apontam uma maior articulação entre órgãos como educação, assistência social, segurança pública e Conselho Tutelar (Foto/Ilustrativa)

Casos de violência no ambiente escolar têm chegado com mais frequência à rede de proteção em Uberaba, que passou a monitorar oficialmente essas ocorrências também pela área da saúde. O aumento das notificações foi destacado por representantes do município, que apontam uma maior articulação entre órgãos como educação, assistência social, segurança pública e Conselho Tutelar. 

Segundo a referência técnica da Vigilância das Violências, Raissa Mazetti, a violência escolar passou a ser tratada como um problema de saúde pública, o que justifica o envolvimento direto da Secretaria Municipal de Saúde no acompanhamento dos casos. “A violência é um agravo de saúde pública. Então é de interesse da saúde atuar na prevenção. Hoje a gente monitora não só agressões físicas, mas também bullying, cyberbullying e até casos que resultam em adoecimento psíquico, como automutilação e depressão”, explica. 

Em entrevista ao Pingo do J, ela afirma que houve crescimento no número de situações notificadas, especialmente após a criação de um protocolo municipal específico para lidar com a violência nas escolas. O documento foi estruturado com base em diretrizes internacionais e define fluxos de atendimento conforme a gravidade de cada caso. 

A superintendente de Políticas de Infância e Juventude, Vivian Bellozi, afirma que, apesar do aumento das notificações, o dado também reflete maior conscientização e adesão das escolas ao sistema. “As notificações têm chegado e isso permite que a gente atue. O que preocupa é justamente o que não chega até a rede de proteção. Nem todos os casos são comunicados, e esses são os mais difíceis de acompanhar”, pontua. 

O protocolo municipal classifica as ocorrências em diferentes níveis, desde situações consideradas “preocupantes”, que podem ser resolvidas no âmbito escolar, até casos emergenciais, que exigem acionamento imediato das forças de segurança. 

Entre os episódios mais graves estão situações em que estudantes levam objetos com potencial lesivo à escola com intenção de ameaça, além de casos de violência reiterada ou com risco à integridade física. “Nessas situações emergenciais, a orientação é acionar imediatamente a Guarda Municipal ou a Polícia Militar. Já em casos que envolvem violação de direitos, o Conselho Tutelar também deve ser comunicado”, explica Raissa. 

Apesar do avanço na criação de protocolos e da maior integração entre os órgãos, as entrevistadas destacam que o principal desafio ainda é ampliar a notificação dos casos fora da rede municipal e fortalecer o envolvimento das famílias no acompanhamento dos estudantes. 

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