Indicação deve ser exceção, não regra, e pressão estética nas redes sociais agrava procura por esses medicamentos
Segundo a especialista, esses medicamentos não devem ser utilizados com finalidade estética ou para perda de peso leve (Foto/Divulgação)
O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” em adolescentes não deve ser encarado como rotina e só é recomendado em situações específicas, como casos de obesidade ou sobrepeso associado a outras doenças. O alerta é da endocrinologista e metabologista Alcione Zanin Rodrigues da Cunha, que reforça a necessidade de avaliação médica criteriosa antes de qualquer indicação.
Segundo a especialista, esses medicamentos não devem ser utilizados com finalidade estética ou para perda de peso leve. “As chamadas ‘canetas emagrecedoras’ não são de uso rotineiro em adolescentes e devem ser encaradas como exceção, não regra. Podem ser indicadas em casos de obesidade ou de sobrepeso associado a comorbidades, quando há risco à saúde, sempre com avaliação criteriosa e acompanhamento médico”, afirma.
De acordo com a médica, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de liraglutida e semaglutida para adolescentes entre 12 e 17 anos, mas apenas em situações bem definidas e com acompanhamento especializado.
Alcione destaca que o uso inadequado pode trazer riscos importantes à saúde. “Apesar de parecerem simples, esses medicamentos não são isentos de efeitos colaterais. Náuseas, vômitos e desconfortos gastrointestinais são comuns, e em adolescentes há uma preocupação maior com impacto nutricional em uma fase crucial de crescimento”, explica.
Ela alerta ainda para os riscos do uso sem prescrição, cada vez mais comum por influência das redes sociais. “Infelizmente, o uso sem prescrição médica tem se tornado cada vez mais comum, principalmente com a influência das redes sociais. São medicamentos que atuam no metabolismo e no controle do apetite, e o uso sem orientação pode levar a complicações, deficiências nutricionais e até atrasar diagnósticos importantes”, ressalta.
A endocrinologista também chama atenção para possíveis impactos no desenvolvimento. “Esses medicamentos podem, sim, impactar o crescimento, o desenvolvimento hormonal e a saúde mental, especialmente quando usados de forma inadequada. A restrição alimentar excessiva pode interferir no crescimento e favorecer transtornos alimentares e questões de autoestima”, afirma.
Para ela, o aumento da busca por esses medicamentos entre jovens está diretamente ligado à pressão estética nas redes sociais. “O problema é que saúde não se resolve com atalhos”, pontua.
Como alternativa mais segura, Alcione defende uma abordagem multidisciplinar. “As formas mais seguras e recomendadas de tratar o sobrepeso e a obesidade em adolescentes envolvem alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, apoio familiar e acompanhamento psicológico. Quando necessário, o uso de medicação pode ser considerado, mas sempre como parte de um plano mais amplo e com acompanhamento médico próximo”, finaliza.