Foto/Neto Talmeli
Equipe da Geo Pac fez a entrega dos 86 blocos de fósseis ao Complexo Científico da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Peirópolis
Os 86 blocos de rochas, contendo fósseis marinhos de 400 milhões de anos, foram entregues ontem ao Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da UFTM. Os exemplares foram recolhidos em trecho onde são construídas linhas de transmissão elétrica, entre a Usina Hidrelétrica de Teles Pires, em construção no norte de Mato Grosso, e a Usina Hidrelétrica de Marimbondo, instalada no rio Grande, no Pontal do Triângulo Mineiro.
A entrega foi feita por equipe da Geo Pac, empresa de consultoria ambiental de Uberaba especializada em paleontologia, geologia e espeleologia, contratada pela State Grid, holding chinesa responsável pela obra, para avaliar o potencial fossilífero do trecho que receberá as linhas. De acordo com os técnicos em paleontologia da Geo Pac, o reconhecimento da área e o monitoramento das rochas foram realizados de 2012 a 2015, sendo que o primeiro conjunto de conchas fossilizadas foi localizado em 2014.
O técnico João Paulo Adolfo explica que, para autorização de uma obra, o Ibama exige a conclusão de etapas ambientais, umas delas é a verificação paleontológica. “Delimitamos 114 torres para monitoramento. Iniciadas as obras, fomos chamados para acompanhar as escavações e encontramos 86 blocos de fósseis”, frisa. Ele esclarece que o complexo foi escolhido como depositário por ser um dos melhores do país e porque será capaz de realizar preparação, pesquisa e divulgação das espécies e gêneros encontrados.
Entre os fósseis depositados no complexo, o geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro destaca um exemplar ímpar medindo cerca de nove centímetros de largura, 6cm de comprimento e 4cm de espessura, integralmente preservado. O exemplar contém as duas valvas (conchas), além do pedúnculo, tecido mole de difícil preservação, intactos, constituindo-se em uma fossilização rara.
Boa parte dos fósseis é conhecida e comprova a ocupação de oceanos no centro do país há 400 milhões de anos, mas chama a atenção para outro aspecto. “A percepção de que o planeta não é estático. A Terra é um planeta vivo, em que vulcanismos e terremotos dão o aspecto de movimentação e que onde hoje há cerrado já foi mar, são processos geológicos da natureza em 400 milhões de anos; mas traz um alerta sobre o processo histórico do homem sobre o meio ambiente, porque causar, em 100 anos, o aumento da linha do mar em três metros é um absurdo!”, analisa Ribeiro.