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Como era Uberaba em 1881? Embarque nesta viagem pelo tempo

Neste ano, foi aprovada a construção da capela de Nossa Senhora da Abadia

Juliana Corrêa
Publicado em 13/08/2026 às 21:07Atualizado em 13/08/2026 às 21:07
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Foto de Uberaba em 1890 dá uma ideia de como a cidade era em 1881 (Foto/Reprodução)

Foto de Uberaba em 1890 dá uma ideia de como a cidade era em 1881 (Foto/Reprodução)

Quase 145 anos depois, é difícil imaginar como era Uberaba quando a cidade ainda não tinha ferrovia, as ruas começavam a receber placas com seus nomes e a vida cotidiana era muito diferente da atual. Em 1881, enquanto a população acompanhava as mudanças de uma cidade que se consolidava como centro regional, a Câmara Municipal autorizou a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Abadia, na então Colina da Misericórdia. No dia 15 de agosto daquele ano, uma missa foi celebrada no local, acompanhada da bênção do Cruzeiro, acontecimentos que entrariam para a história da devoção que hoje marca um dos principais símbolos religiosos de Uberaba. 

Para entender aquela Uberaba, é preciso deixar de lado a imagem da cidade atual. Em 1881, o município já possuía uma estrutura urbana organizada, mas ainda era muito menor e tinha forte ligação com a vida rural. Naquele ano, as ruas receberam placas com seus nomes e as casas foram numeradas. Segundo registros históricos, revistas e arquivo público, eram 45 ruas, três travessas, três becos e nove praças ou largos. Entre os espaços que já faziam parte da cidade estava a antiga Praça da Matriz, hoje Praça Rui Barbosa, e a Rua do Comércio, atual Rua Artur Machado. 

A posição geográfica também ajudava a explicar a importância de Uberaba. Desde o século XIX, a cidade havia se transformado em ponto de convergência entre o litoral e os sertões de Goiás e Mato Grosso, funcionando como área de circulação e intermediação de produtos. Em 1881, porém, ainda não havia trem por aqui. O transporte dependia das estradas e dos veículos da época, enquanto a possibilidade de uma ligação ferroviária começava a ganhar força. Naquele ano, uma lei provincial autorizou negociações para o prolongamento da Companhia Mogiana pelo território mineiro. Os trilhos só chegariam a Uberaba em 1889, mas o debate sobre a ferrovia já fazia parte dos planos para o futuro da cidade. 

Politicamente, Uberaba também vivia outro tempo. O Brasil era uma monarquia, governada por Dom Pedro II, e não existia o cargo de prefeito como conhecemos hoje: a administração municipal estava sob responsabilidade da Câmara. A participação política era restrita e estava concentrada principalmente entre homens que atendiam às exigências eleitorais do período. Ao mesmo tempo, novas ideias começavam a circular. Em 21 de abril de 1881, passou a circular o Tiradentes, jornal identificado como órgão republicano, com notícias, literatura e textos políticos. Era um sinal de que, mesmo em uma cidade do interior, o debate sobre os rumos do país já fazia parte da vida pública. 

A religião ocupava um espaço importante no cotidiano. O catolicismo era a religião oficial do Império e igrejas, festas, procissões e irmandades faziam parte da vida social. Uberaba já contava com templos como a Igreja do Rosário, construída no século XIX, e a Igreja de Santa Rita. Foi nesse cenário que a devoção a Nossa Senhora da Abadia ganhou, em 1881, um novo capítulo. A construção da capela autorizada naquele agosto só começaria no ano seguinte e seria concluída posteriormente, mas a primeira missa no local, em 15 de agosto, marcou a história daquele espaço que hoje conhecemos como Praça Nossa Senhora da Abadia. 

E como as pessoas viviam? A cidade ainda tinha forte ligação com o campo, o comércio era uma das suas principais atividades e a circulação de pessoas acontecia em ritmo muito diferente do atual. Não havia automóveis, ônibus ou motocicletas pelas ruas. As viagens eram feitas por meios terrestres disponíveis naquele período, em percursos que podiam levar dias. Também não havia a iluminação, o calçamento e a infraestrutura urbana que hoje fazem parte da paisagem cotidiana. Até a maneira de se vestir era outra, influenciada pelos padrões do século XIX, com roupas mais formais e volumosas, especialmente entre os grupos socialmente mais abastados. 

1881 também foi um ano importante para a educação. Em 22 de setembro, uma lei provincial criou oficialmente uma Escola Normal em Uberaba, instituição que seria instalada no ano seguinte. A iniciativa mostra que a cidade não se desenvolvia apenas pelo comércio: havia também um movimento de expansão da educação e da formação de professores. Tudo isso acontecia em uma sociedade ainda profundamente marcada pelas desigualdades do período e pela escravidão, que só seria abolida sete anos depois. 

Voltar a Uberaba de 1881, portanto, é encontrar uma cidade em transformação. Ainda sem ferrovia, sem automóveis e sem a dimensão urbana atual, mas já com imprensa, comércio, instituições, vida religiosa, debates políticos e projetos para o futuro. Foi nesse cenário que, em agosto daquele ano, um cruzeiro foi abençoado na Colina da Misericórdia e começou uma história que atravessaria gerações. Quase um século e meio depois, a cidade mudou, e muito, mas alguns dos lugares e acontecimentos daquele tempo ainda podem ser reconhecidos pelas ruas de Uberaba de hoje. 

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