O Geoparque Uberaba não corre risco imediato de perder a chancela concedida pela UNESCO, segundo a presidente da Associação Geoparque, Paula Cusinato. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Pingo do J, em meio às discussões no município sobre a estrutura de gestão e a preparação para a reavaliação internacional prevista para 2027.
Segundo ela, o processo de acompanhamento da UNESCO não tem caráter punitivo, mas de monitoramento contínuo dos territórios reconhecidos. “A Unesco não tem aquele papel punitivo, fiscalizador. O papel dela é olhar e falar: o que nós estamos avançando? Está andando? Está melhorando?”, afirma.
Paula destacou ainda que a análise considera as diferentes realidades dos geoparques ao redor do mundo, especialmente em regiões como América Latina e África. “Eles têm também um olhar diferenciado para os geoparques da América Latina e da África, porque é uma realidade diferente da Europa e da Ásia”, disse.
Apesar da avaliação positiva em relação à manutenção da chancela, a presidente reconheceu que o projeto ainda passa por uma fase de estruturação institucional e enfrenta desafios internos, principalmente relacionados à equipe técnica e ao orçamento. “O nosso papel é buscar o desenvolvimento sustentável, principalmente daqueles pequenos, tentar trazê-los para melhorar de fato a qualidade de vida do território”, afirma.
Ela também apontou a necessidade de ampliação da equipe para fortalecer a execução das ações. “É claro que nós temos alguns gargalos importantes. A gente precisa realmente ampliar a equipe, e para isso o orçamento tem que crescer, para contratar mais gente”, disse.
Paula avaliou que, apesar das limitações, o projeto avançou desde a conquista do reconhecimento internacional e segue em consolidação. “A gente já avançou muito e temos muita coisa para mostrar”, completa.
As declarações ocorrem em meio ao debate sobre o fortalecimento do Geoparque em Uberaba, especialmente diante da proximidade da reavaliação da UNESCO prevista para os próximos anos. O tema também tem sido discutido no Legislativo municipal, com questionamentos sobre estrutura turística e integração das políticas públicas voltadas ao território.