O levantamento faz parte da campanha de conscientização que marcou o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidente de Trabalho
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 2013 mostram que mais de 700 mil acidentes de trabalho são registrados no Brasil anualmente, 550 mil deles com Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) registrada. O levantamento faz parte de campanha pela conscientização que marcou o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidente de Trabalho, celebrado no último dia 28 de abril. Em Uberaba, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) está atento a cada ocorrência e somente este ano já foram registrados 49 graves. A maioria é registrada no setor da construção civil.
Em 2013, cerca de 271 mil trabalhadores ficaram mais de 15 dias afastados do trabalho. Há, ainda, o registro de 2,8 mil mortes e 14,8 mil casos de invalidez permanente, por acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais.
De acordo com o Cerest, ligado ao Departamento de Epidemiologias da Secretaria de Saúde em Uberaba, os acidentes de trabalho graves são aqueles que geram afastamentos e sequelas. Conforme dados obtidos através de pesquisa no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan), em 2015, foram notificados 203 acidentes de trabalho graves, o que equivale à média de quase 17 acidentes por mês. Em 2016, o número caiu para 158 incidentes, com média de 13 casos. De janeiro a abril de 2017, o centro já registrou 49 acidentes graves, o que corresponde a cerca de 12 ocorrências por mês.
Segundo o diretor do Departamento de Epidemiologia, Robert Boaventura, a partir das investigações destes acidentes, observou-se que nos anos de 2015 e 2016 o ramo de atividade em que mais ocorriam acidentes era a construção civil. “Se observarmos os números, em 2015, tivemos um número de acidentes alto em relação a 2016 devido ao ‘boom’ que houve na construção civil naquele ano. Muitas pessoas entraram no mercado de trabalho, talvez sem experiência, e algumas empresas não estavam preparadas. No decorrer do ano, o Cerest fez capacitações e 2016 teve quase 50 acidentes a menos que no ano anterior”, esclarece.
Nestes primeiros meses do ano de 2017, o diretor afirma que estão sendo observados altos índices de acidentes de trajeto, ou seja, quando o trabalhador se desloca de casa para o trabalho ou do trabalho para casa. “Este ano, houve uma mudança de perfil nos acidentes. Embora o ramo principal ainda seja o da construção civil, os acidentes são de trajeto. O que pode explicar é que antes o trabalhador não sabia que, a partir do momento que ele sai de casa para ir ao trabalho ele já conta como acidente trabalhista. Após capacitações, o trabalhador já está informado sobre o que é acidente de trabalho, o que pode explicar o aumento dos registros”, explica.