Moradores do bairro Jardim Uberaba denunciam o uso frequente de cerol e linha chilena por adolescentes na Praça Santa Beatriz, principalmente no período da tarde. Segundo os relatos encaminhados à reportagem do Jornal da Manhã, a prática ocorre diariamente e já teria sido comunicada às forças de segurança, mas sem fiscalização no local.
Os moradores afirmam ter acionado a Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar, mas relatam que as equipes não teriam comparecido à praça. Também dizem ter procurado o Departamento de Posturas e recebido a informação de que os envolvidos seriam crianças.
Procurado pelo Jornal da Manhã, o Departamento de Posturas, vinculado à Secretaria de Segurança Pública, informou que não recebeu, até o momento, denúncias sobre o uso de cerol ou linha chilena na Praça Santa Beatriz.
Segundo o órgão, o fato de os envolvidos serem crianças ou adolescentes não impede a fiscalização. Nesses casos, os responsáveis legais podem ser responsabilizados. A Prefeitura também esclareceu que não há patrulhamento preventivo específico para combater o uso de cerol ou linha chilena. As equipes são encaminhadas aos locais quando recebem denúncias. A orientação oficial é que moradores comuniquem imediatamente o uso de linhas cortantes, principalmente quando houver risco para pedestres, motociclistas e ciclistas. As denúncias podem ser feitas ao Departamento de Posturas pelos telefones 0800 940 0101 e (34) 3331-2312 ou pelo WhatsApp (34) 3331-2313.
O caso volta a chamar atenção para um problema que já provocou acidentes em Uberaba. Em agosto de 2025, um motociclista de 21 anos ficou gravemente ferido após ser atingido por uma linha de cerol na avenida José Valim de Melo, no bairro Chica Ferreira. Segundo o registro policial, uma criança havia esticado a linha da pipa atravessando a pista. Ao tentar proteger o pescoço, o motociclista levantou a mão e sofreu um corte profundo, com intenso sangramento.
O risco também já havia sido relatado pelo JM Online em 2015, quando um motociclista de 52 anos sofreu um corte profundo no pescoço causado por uma linha de cerol enquanto transitava pelo Parque São Geraldo. Na mesma ocasião, um motorista denunciou que uma linha chilena havia atingido seu carro no Valim de Melo e relatou dificuldades para conseguir atendimento das forças de segurança.
Em Minas Gerais, a Polícia Militar realizou neste ano a Operação Linha Segura, com ações preventivas e repressivas contra o uso e a comercialização de cerol e linhas cortantes. A operação foi realizada durante o período de férias escolares e incluiu fiscalização em áreas urbanas, rurais e rodovias.
Além do risco de cortes, as pipas também provocam ocorrências na rede elétrica. Segundo levantamento da Cemig publicado pelo JM Online, entre janeiro e junho de 2026, foram registradas 185 ocorrências relacionadas a pipas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, deixando 45.148 consumidores sem energia. Em todo o Estado, foram 1.260 ocorrências no primeiro semestre, com 313.224 clientes afetados.
Os dados estaduais reforçam que o problema não se limita aos acidentes envolvendo motociclistas e ciclistas. Em 2024, reportagem do JM Online mostrou que, apenas nos quatro primeiros meses daquele ano, a Cemig havia registrado cerca de 458 ocorrências provocadas por pipas em Minas Gerais, afetando quase 100 mil clientes. No Triângulo e Alto Paranaíba, foram aproximadamente 64 ocorrências e mais de 14 mil unidades consumidoras prejudicadas. A mesma reportagem registrou a morte de um homem de 23 anos atingido por uma linha chilena na MG-010, em Vespasiano.
A legislação mineira proíbe o uso e a comercialização de linhas cortantes em pipas, papagaios e similares. A Lei Estadual nº 23.515/2019 prevê sanções administrativas e, dependendo da situação, pode haver responsabilização criminal. Em caso de uso por criança ou adolescente, os responsáveis legais podem ser notificados.
Em Uberaba, o Departamento de Posturas recebe denúncias pelos telefones 0800 940 0101 e (34) 3331-2312, além do WhatsApp (34) 3331-2313. Para situações que estejam ocorrendo no momento e ofereçam risco, a Polícia Militar orienta o acionamento pelo 190. Denúncias anônimas também podem ser feitas pelo 181, conforme orientação divulgada pela corporação durante a Operação Linha Segura.