O impasse em torno da implantação do novo modelo de entregas do iFood em Uberaba ganhou um novo capítulo. Enquanto o Procon afirma ter notificado oficialmente a empresa para prestar esclarecimentos sobre a operação exclusiva prevista para agosto, a plataforma informou ao Jornal da Manhã que ainda não recebeu o documento.
Em nota enviada à reportagem, o iFood afirma que, caso seja formalmente notificado, responderá dentro do prazo previsto em lei. "O iFood informa que ainda não foi notificado pelo Procon de Uberaba. Caso receba a notificação, a empresa prestará todos os esclarecimentos solicitados dentro do prazo legal", afirma.
Já o Procon reafirma que a notificação foi expedida em 15 de julho e encaminhada pelos Correios com Aviso de Recebimento (AR). Segundo o órgão, trata-se de uma medida preliminar, sem abertura de processo administrativo. "A notificação é uma medida preliminar solicitando esclarecimentos à empresa e foi expedida em 15 de julho de 2026. A notificação foi encaminhada à empresa via Correios, com Aviso de Recebimento (AR)", informa o órgão.
Segundo o Procon, o objetivo da notificação é verificar de forma preventiva se o novo modelo de logística poderá provocar impactos aos consumidores de Uberaba.
Entre os questionamentos encaminhados estão possíveis alterações nos preços, taxas de entrega, prazos, cancelamentos, políticas de reembolso, disponibilidade de entregadores e a forma como essas mudanças serão comunicadas aos usuários antes da conclusão dos pedidos.
O órgão também pediu que a empresa apresente os dados que embasam a divulgação de que a logística integrada reduzirá o tempo médio das entregas e o número de cancelamentos.
O prazo para resposta é de dez dias úteis após o recebimento da notificação.
Embora afirme não ter recebido oficialmente o documento do Procon, o iFood reiterou que Uberaba será a primeira cidade do país a testar o novo modelo de logística integrada.
Segundo a empresa, a partir de agosto todas as entregas realizadas pela plataforma passarão a utilizar exclusivamente a frota do próprio iFood, substituindo gradualmente os sistemas de entrega próprios dos restaurantes cadastrados.
A empresa sustenta que a mudança permitirá entregas mais rápidas, redução de cancelamentos, acompanhamento em tempo real dos pedidos e acesso antecipado dos estabelecimentos parceiros a novas ferramentas e tecnologias.
Além disso, informou que os entregadores que hoje trabalham diretamente para restaurantes poderão se cadastrar na plataforma, tendo acesso a benefícios como seguro pessoal, programas de capacitação e incentivos financeiros.
O novo modelo já havia provocado reação do Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Uberaba (Sinhores), que teme perda de autonomia dos estabelecimentos, aumento da dependência em relação à plataforma e impactos sobre restaurantes que mantêm equipes próprias de motoboys.
Agora, enquanto aguarda a manifestação oficial do iFood, o Procon afirma que analisará as informações apresentadas pela empresa para verificar se haverá necessidade de adoção de medidas administrativas voltadas à proteção dos consumidores.