Último levantamento realizado pelo IBGE é de 2013, por isso, mesmo com 100% das doses entregues ainda há procura
Neto Talmeli
Apesar da utilização de praticamente todo o estoque de vacinas, ainda há procura de integrantes do público-alvo nas unidades de saúde
Campanha nacional de vacinação contra a influenza terminou ontem em todo o país. Em Uberaba, a imunização superou as expectativas e as doses acabaram antes mesmo do fim da campanha, visto que a meta já havia sido superada há algumas semanas. Porém, a busca pela vacinação continua nas unidades por pessoas que fazem parte do público-alvo e não conseguiram se vacinar.
A Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba recebeu 74.730 doses da vacina contra a gripe, número correspondente ao público-alvo estabelecido pelo Ministério da Saúde. “A campanha em Uberaba foi boa, melhor do que em anos anteriores, mas infelizmente as doses são encaminhadas a partir de levantamento feito sobre o público-alvo em 2013, e os dados estão defasados. Por isto, ainda encontramos pessoas do público-alvo em busca das vacinas, mesmo que todas as doses encaminhadas ao município foram aplicadas”, explica o diretor de Vigilância Epidemiológica, Robert Boaventura.
Por sua vez, o superintendente Regional de Saúde, Ivan José da Silva, explica que o Ministério da Saúde faz o cálculo de público-alvo conforme o IBGE, e a última pesquisa foi realizada em 2013. “É feita uma projeção sobre a quantidade de gestantes, idosos e crianças. Mas se existe público-alvo que não se vacinou, mesmo com o término das doses, pode ser que são pessoas que passaram a ser doentes crônicos, cuja situação é imprevisível. Não sabemos quantas pessoas ficarão doentes”, explica Ivan, destacando que as doses enviadas aos estados foram todas entregues aos municípios.
O superintendente esclarece ainda que não é possível realizar esse levantamento sobre o público-alvo todos os anos, devido ao período necessário para a confecção das vacinas. “Seria inviável, não haveria tempo suficiente de fazer a pesquisa, solicitar as vacinas aos laboratórios, encaminhá-las à União, ao Estado, e distribui-las nos municípios”, diz.
Contudo, quando questionado se ainda é possível atender as pessoas que pertencem ao público-alvo e estão procurando pelas doses nas unidades, Ivan explica que pode existir uma reserva técnica no Ministério da Saúde, e caso este ano isso aconteça, é feita a distribuição do que restou. Mas somente será possível saber depois de levantamento do fim da campanha.