
A demanda envolve desde crianças na primeira infância até adolescentes (Foto/Ilustrativa)
Quatro anos depois de começar a funcionar em Uberaba, o Serviço de Acolhimento Familiar (SAF) já recebeu 32 crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias por decisão judicial. A rede, porém, ainda conta com apenas oito famílias cadastradas e busca novos interessados para ampliar a capacidade de acolhimento.
Atualmente, cinco crianças estão vivendo com famílias acolhedoras. Das oito famílias inscritas no serviço, cinco estão realizando acolhimentos. A demanda envolve desde crianças na primeira infância até adolescentes.
O número de acolhidos pelo serviço aumentou nos últimos meses. Em fevereiro deste ano, levantamento publicado pelo Jornal da Manhã apontava que 26 crianças e adolescentes já haviam passado pelo Acolhimento Familiar e havia sete famílias cadastradas nessa modalidade. Desde então, outras seis crianças e adolescentes passaram pelo serviço.
O SAF foi lançado em Uberaba em agosto de 2022, embora a modalidade já tivesse sido instituída por lei municipal em 2019. O objetivo é oferecer temporariamente um ambiente familiar a crianças e adolescentes que precisaram ser afastados do convívio de origem por situações como violação de direitos, enquanto a rede de proteção trabalha para viabilizar uma solução definitiva.
O acolhimento familiar não é adoção. A prioridade durante o período é trabalhar, quando possível, para que a criança ou adolescente possa retornar com segurança à família de origem. Quando a reintegração não é viável, são adotados os demais encaminhamentos determinados pela Justiça.
Segundo a coordenadora do serviço, Julise Souza Martins, a criação de vínculo entre a família acolhedora e a criança ou adolescente não deve ser vista como um problema, desde que haja compreensão sobre o caráter provisório da medida.
“A família acolhedora pode e deve criar vínculos e se apegar à criança ou ao adolescente. Isso faz parte do processo e é um dos diferenciais do acolhimento familiar. O mais importante é compreender que esse vínculo deve ser saudável e protetivo, tendo clareza de que o acolhimento é temporário”, explicou.
O acolhimento em ambiente familiar funciona como alternativa ao acolhimento institucional. Em agosto, Uberaba regulamentou os regimentos internos de três unidades municipais destinadas a crianças e adolescentes em situação de risco — Casa do Adolescente, Catarina Souto e Lucy Aragão —, que juntas têm capacidade prevista para até 60 acolhidos.
Quem pode acolher
Para ingressar no SAF, é necessário morar em Uberaba há mais de um ano, ter entre 21 e 65 anos, não estar inscrito no Cadastro Nacional de Adoção, ter a concordância das pessoas que vivem na residência e disponibilidade para assumir temporariamente os cuidados de uma criança ou adolescente.
Os candidatos passam por entrevista psicossocial, visita domiciliar, formação inicial e avaliação da equipe técnica. Depois da habilitação, as famílias continuam participando de encontros de formação quinzenais enquanto estiverem realizando acolhimentos.
A família também pode indicar o perfil que tem condições de receber, levando em consideração fatores como faixa etária e características da própria rotina familiar.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Anna Maia, a ampliação do número de cadastrados depende da participação da comunidade. “Precisamos de famílias que compreendam que podem transformar a vida de uma criança ou adolescente, oferecendo cuidado, proteção e afeto em um momento de vulnerabilidade”, afirmou.