
Semana de combate às drogas termina nesta sexta-feira, 30 (Foto/Divulgação)
O combate ao uso de entorpecentes foi tema amplamente discutido nas escolas de Uberaba durante a Semana de Prevenção ao Uso de Álcool e Outras Drogas, promovida pelo Conselho Municipal Antidrogas (Comad). Ao Jornal da Manhã, o presidente do conselho, Valdete Marques, explica que a luta mudou o foco, com o objetivo de orientar e conscientizar jovens sobre os malefícios dos narcóticos.
A mudança de abordagem sobre o tema acontece em âmbito nacional. Conforme explica o presidente, apesar de não ser o público que mais consome entorpecentes, os jovens são mais vulneráveis quando se trata do assunto, enquanto a faixa etária que mais consome está entre 18 e 29 anos.
"Até dois, três anos atrás, o foco era repressão da parte policial no tráfico, na venda. Em outro momento, passou-se a cuidar das pessoas que já eram dependentes. E aí, alguém deu um clique e descobriu que estamos enxugando gelo. Mudou o foco para a prevenção. E a gente tem percebido que cada vez mais cedo os nossos jovens têm contato com álcool, com as drogas”, explica Valdete.
O presidente do Comad avalia que a porta de entrada para outras drogas é o álcool. Na visão de Valdete, atualmente, o consumo de bebida alcóolica está presente de forma normalizada em diversos contextos sociais, inclusive no ambiente familiar.
“Hoje, na nossa sociedade, é normal o consumo de álcool, não é? Você não vê uma festa sem consumo de álcool e as crianças vão crescendo dentro desse contexto. Então, na escola que aconteceu [a palestra] hoje a diretora conseguiu levar até algumas mães para elas também participarem dessa roda de conversa para entender qual é o contexto disso”, pontua Marques.
Dessa forma, neste ano, o Comad trabalhou questões relacionadas à família, ao esporte e a cultura, como forma de combate às drogas.
A proposta do Comad é criar um Plano Municipal de Políticas Sobre Drogas, que está em construção. Segundo Valdete, o plano atuará de forma a estabelecer ações constantes de conscientização sobre o tema. “Esse plano que vai dar um norte. Hoje tivemos um feedback das palestras realizadas nas escolas e uma diretora falou que deveríamos ir pelo menos uma vez por mês. Então, nós já temos uma porta de entrada. Precisamos construir junto com a sociedade esse plano”, reforça.