Comerciantes ambulantes instalados na praça relataram nova queda nas vendas na Festa de Nossa Senhora d’Abadia
Foto/Neto Talmeli
O comerciante Clóvis dos Santos Faria, o Clovão, diz que a venda de produtos este ano caiu entre 30% e 40%
Durante os 15 dias de celebração, aos pés da Virgem a maioria dos fiéis agradeceu pelas graças concedidas, mas este ano, mais do que nos anteriores, a maioria das pessoas visitou o Santuário para pedir proteção, especialmente financeira. Comerciantes ambulantes instalados na praça relataram nova queda nas vendas na Festa de Nossa Senhora d’Abadia. Além disso, o grande número de jovens usuários de drogas serviu para afastar ainda mais os fiéis, que fizeram força para comparecer este ano.
Com 37 anos de devoção a Nossa Senhora d’Abadia, o comerciante Clóvis dos Santos Faria, mais conhecido como Clovão, é um dos primeiros a chegarem à praça para montar sua barraca e agradecer à Virgem. No entanto, ele revela que a crise financeira que o país enfrenta foi responsável pela queda de 30% a 40% nas vendas deste ano. “A mercadoria subiu muito. Este coco com o qual trabalhamos custava, no ano passado, R$80, e neste ano subiu para R$160; o açúcar passou de R$7 para R$11; a maçã era R$30 e hoje está valendo R$75 a R$80, a caixa, ou seja, tudo encareceu. O jeito foi tentar segurar um pouco e não repassar tudo para o consumidor. Vendemos os produtos na promoção, mas ainda tivemos que subir 10%”, revela.
Segundo Clóvis, a principal causa é a crise econômica, que leva as pessoas a gastar menos, mas não é só em Uberaba. Em eventos cobertos pelo comerciante em várias cidades brasileiras ele viveu a mesma situação.
Essa, porém, não é a principal preocupação. Em 2016, os comerciantes sentiram falta da presença do Conselho Tutelar. “Achei falha a falta do Conselho Tutelar na festa. Andamos o Brasil inteiro e em todo lugar ele está presente; aqui não vimos uma pessoa do Conselho Tutelar, mas vimos vários menores fumando crack na praça. Já a Polícia Militar esteve de parabéns. No início da festa, tivemos uma briga muito grande, mas a PM controlou bem. Por ser a maior festa de Uberaba, conhecida no país inteiro e, às vezes, até no exterior, tinha que juntar Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Conselho Tutelar e todos os órgãos da Prefeitura para se estabelecerem na praça, pois esta festa faz parte do calendário de Uberaba e região”, ressalta o comerciante.