O comércio, um dos principais empregadores de Uberaba, encerrou o primeiro semestre de 2026 com mais demissões do que contratações. De janeiro a junho, o setor registrou 6.931 admissões e 7.260 desligamentos, resultando em saldo negativo de 329 vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado chama atenção por envolver o segundo maior empregador da cidade e contrasta com o desempenho dos serviços, que lideraram a criação de postos de trabalho no período.
Os serviços foram o grande motor do mercado de trabalho formal em Uberaba nos seis primeiros meses do ano. O segmento acumulou saldo positivo de 733 empregos, mais de dois terços de todas as vagas criadas no município no período. O resultado foi impulsionado principalmente pelos meses de fevereiro e março, quando atividades como saúde, educação, transporte, alimentação e prestação de serviços ampliaram as contratações, confirmando a crescente importância do setor na economia local.
A indústria terminou o semestre com saldo positivo de 330 vagas, mas apresentou o comportamento mais instável entre os grandes setores. Depois de um início discreto, viveu um forte avanço em março, quando abriu 360 postos de trabalho, seguido por nova expansão em abril. No entanto, devolveu parte desse resultado em maio, ao fechar 225 vagas, antes de voltar a contratar em junho. A oscilação indica que o setor permanece sensível ao ritmo da produção e da demanda.
A construção civil também fechou o semestre no azul, com 133 empregos gerados. O melhor desempenho ocorreu no início do ano, especialmente em janeiro e fevereiro, quando o setor concentrou boa parte das contratações. Nos meses seguintes houve alternância entre resultados positivos e negativos, indicando um ritmo mais moderado de expansão das obras.
Já a agropecuária criou 142 empregos no acumulado do semestre, mas seguiu um comportamento típico das atividades rurais. As contratações predominaram entre janeiro e abril, período em que o setor abriu 245 vagas. Em maio e junho, porém, o movimento se inverteu, com mais desligamentos do que admissões, refletindo o encerramento de ciclos sazonais de produção.
No balanço geral, Uberaba encerrou o primeiro semestre com saldo positivo de 1.071 empregos formais, resultado de 30.734 admissões e 29.663 desligamentos. O desempenho, entretanto, não foi linear. O município iniciou o ano com saldo de 122 vagas em janeiro, acelerou para 408 em fevereiro e atingiu o pico de 733 empregos em março, impulsionado principalmente pela indústria e pelos serviços.
A partir de abril, porém, o mercado de trabalho perdeu força. O saldo caiu para 151 vagas, maio registrou o único resultado negativo do semestre, com fechamento de 356 postos de trabalho, e junho praticamente ficou estável, com apenas 13 novas vagas. A sequência evidencia uma desaceleração da geração de empregos formais após um primeiro trimestre aquecido.
Os dados mostram que a economia de Uberaba continua criando empregos, mas com uma mudança importante na composição das vagas. Enquanto os serviços consolidam sua posição como principal vetor da geração de trabalho formal e a indústria mantém saldo positivo apesar das oscilações, o comércio encerra a primeira metade do ano em retração. Por ser um dos setores que mais empregam no município, seu desempenho no segundo semestre tende a ser decisivo para definir se o mercado de trabalho retomará um ritmo mais forte de crescimento ou permanecerá em desaceleração.

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