Telhas, placas, galhos de árvores e fios elétricos estão entre os principais riscos durante períodos de ventos fortes. Com a previsão de rajadas de até 60 km/h em Uberaba, o ex-comandante do Corpo de Bombeiros Anderson Passos orienta moradores a adotarem medidas preventivas para evitar acidentes.
Segundo a climatologista Wanda Prata, Uberaba deve sentir os efeitos de um sistema que atua no Sudeste, com possibilidade de rajadas acima de 50 km/h até o início de agosto. Diante da previsão, Passos destaca que os principais cuidados devem envolver objetos e estruturas que possam ser deslocados pela força do vento. “Os riscos são muito evidentes. A projeção de estruturas, objetos, por exemplo telhas, lonas, outdoors, tudo que possa ter resistência à passagem do vento vira um objeto de preocupação. Andaimes, essas coisas em obras, tudo isso é preocupação”, afirma.
O ex-comandante orienta que moradores façam uma vistoria antes da chegada das rajadas e verifiquem se há materiais soltos em áreas externas, além de reforçar amarrações e fixações. “É preciso manter todo esse material preso, conferir aquilo que pode ser colocado, um peso sobre, amarração, parafuso, essas coisas todas. E os ventos podem mudar de direção, então é preciso ter essa cautela”, explica.
Além dos objetos que podem ser lançados pelo vento, Anderson Passos chama atenção para o risco envolvendo árvores em áreas urbanas. Segundo ele, a circulação do vento entre prédios e construções pode aumentar a intensidade das rajadas próximas ao solo. “As árvores em áreas urbanas sofrem mais, porque, quando o vento passa entre os prédios, entre as edificações, ele tem a sua velocidade aumentada”, analisa.
Outro cuidado está relacionado aos fios elétricos. Segundo o bombeiro veterano, após a queda de árvores ou galhos, a população deve considerar qualquer fio caído como energizado. “Passada a ventania, uma cautela fundamental é ter atenção, seja a pé, de motocicleta, principalmente, de bicicleta e de automóvel. É considerar que todos os fios que estão caídos são fios energizados”, orienta.
Ele destaca que motociclistas estão entre os grupos mais vulneráveis nesse tipo de situação, devido ao risco de contato com fios baixos ou espalhados pela via.
Passos também recomenda que a população esteja preparada para possíveis interrupções no fornecimento de energia elétrica e até de água durante eventos climáticos mais intensos. “É preciso se preparar para esses períodos em que pode faltar energia elétrica ou até água mesmo”, afirma.
Para evitar problemas durante quedas de energia, ele recomenda o uso de lâmpadas de emergência de LED, que podem substituir o uso de velas. “Antigamente as pessoas usavam velas para passar períodos de escuridão, mas isso é um perigo à parte. Hoje em dia tem as lâmpadas de LED, que são automáticas e resolvem muito bem”, disse.
Caso seja necessário utilizar velas, Passos orienta cuidados com o local onde elas serão colocadas. “Ela pode cair, pode rolar, cair num ponto onde tem algum combustível, pano. Então o melhor é colocar no chão, colocar num prato com água, se for colocar no alto, colocar longe de uma situação em que ela possa cair e atear fogo no ambiente”, explica.
Após períodos de vento forte, outro risco aparece durante a tentativa de moradores de realizar reparos em telhados, calhas e estruturas danificadas.
Segundo o especialista, é comum que acidentes aconteçam depois da passagem do fenômeno climático, quando pessoas tentam solucionar os problemas sem equipamentos adequados. “A ventania às vezes não faz vítima alguma. Mas as tentativas de reparação muitas vezes causam vítimas, causam lesões”, alerta.
A recomendação é que serviços em altura sejam realizados por profissionais capacitados, principalmente em telhados e estruturas com risco de queda.