A Páscoa deste ano será mais salgada para os consumidores de Uberaba. Levantamento feito pelo Jornal da Manhã mostra que os ovos de chocolate ficaram mais caros no comércio da cidade, com reajustes que chegam a cerca de 20% em alguns produtos na comparação com a Páscoa de 2025. O aumento supera com folga a inflação geral do país no período, que ficou em torno de 4%.
A disparada está ligada, principalmente, à crise global do cacau. Problemas climáticos, doenças nas lavouras e dificuldades financeiras enfrentadas por grandes produtores reduziram a oferta mundial da matéria-prima e elevaram os preços no mercado internacional. O reflexo já aparece nas gôndolas e também na produção artesanal.
No segmento de ovos artesanais, a pressão sobre os custos também é sentida. Segundo a pesquisa do JM, a barra de chocolate nobre subiu, em média, 20% neste ano. Com isso, o encarecimento dos insumos tende a ser repassado ao consumidor final, o que afeta tanto quem produz quanto quem compra.
Mesmo com os preços mais altos, a expectativa do comércio é de crescimento nas vendas em relação ao ano passado, como já mostrou o JM. Para tentar manter o apelo junto ao público, parte dos estabelecimentos aposta em atrativos extras, como brinquedos e brindes. Em supermercados e lojas de departamento, esses itens costumam explorar personagens em evidência, enquanto lojas especializadas investem mais em produtos ligados à nostalgia, numa estratégia que alcança não só o público infantil, mas também consumidores adultos.
Sabor chocolate
Consumidores mais atentos podem notar que alguns ovos de páscoa têm escrito na embalagem “ovo sabor chocolate”, ou “cobertura sabor chocolate”, no caso das barras para chocolates artesanais. Estes produtos são um reflexo da crise do cacau, que fez com que as empresas reduzissem a quantidade da matéria prima no produto final.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para ser considerado chocolate, o produto precisa ter ao menos 25% de sólidos totais de cacau na composição. Além disso, o tipo de gordura utilizado também interfere diretamente na qualidade e na classificação.
O chamado chocolate nobre, por exemplo, leva manteiga de cacau e costuma ser mais valorizado pelo consumidor. Além da composição, ele exige etapas mais delicadas no preparo, como o choque térmico durante a modelagem, o que também ajuda a explicar o preço mais elevado.
Já a cobertura fracionada tem menor teor de cacau e utiliza gordura vegetal, geralmente óleo de palma. Por ser mais barata e mais fácil de trabalhar, aparece com frequência em produções de menor custo, embora costume ser menos bem aceita em comparação ao chocolate nobre.
Há ainda a cobertura hidrogenada, que tem quantidade ainda menor de cacau e gordura hidrogenada na composição. Em geral, é a versão mais acessível, mas também a que mais se distancia do sabor e da textura associados ao chocolate tradicional.