
A obra de ampliação do Aeroporto Mário de Almeida Franco foi autuada pela terceira vez pela Prefeitura de Uberaba após novo episódio de escoamento de água (Foto/Divulgação/Redes Sociais)
A obra de ampliação do Aeroporto Mário de Almeida Franco foi autuada pela terceira vez pela Prefeitura de Uberaba após novo episódio de escoamento de água e sedimentos para ruas do entorno durante a chuva forte de quinta-feira (26). Segundo a administração municipal, as penalidades somam 55 Unidades Fiscais do Município (UFM), o que pode levar a multa total de R$ 26,2 mil. Em nota, a Aena informa que acompanha as autuações, mantém contato com a Prefeitura e sustenta que as operações seguem normalmente, com conclusão da obra prevista para junho. O caso reforça a sequência de transtornos já relatados por moradores da região da Yolanda Derenusson Silveira desde o início da intervenção.
O problema voltou a atingir principalmente vias da região da rua Yolanda Derenusson Silveira, onde houve escoamento de água e sedimentos para a pista, comprometendo a circulação de veículos e exigindo atuação emergencial de equipes de limpeza ainda ontem. O novo episódio recoloca em evidência uma situação que já vinha sendo relatada por moradores do entorno desde o ano passado.
Em nota, a Aena informou que, em razão do elevado volume de chuvas registrado nas últimas horas, houve o rompimento de um trecho do muro perimetral do aeroporto, o que provocou o escoamento de água e sedimentos para a via pública. A concessionária afirmou que mobilizou equipes técnicas para medidas imediatas de contenção, limpeza e avaliação das condições do local, além de manter contato com a Prefeitura para atuação coordenada. Também ressaltou que não houve impacto nas operações aeroportuárias.
“A Aena informa que os trabalhos da reforma do aeroporto seguem em andamento, dentro do prazo de compromisso do contrato de concessão, com entrega prevista para junho deste ano. Em relação às autuações, todos os apontamentos estão sendo devidamente acompanhados e tratados”, diz a concessionária.
O histórico recente mostra que os transtornos no entorno da obra não são isolados. Em 26 de dezembro de 2025, o JM publicou reclamações de moradores dos bairros Pontal e Umuarama sobre lama, alagamentos e acúmulo de barro em vias como Yolanda Derenusson Silveira, Sábia e Curiós. Na ocasião, o Departamento de Posturas informou que esteve no local para vistoria e adotou providências administrativas, incluindo autuação da empresa responsável pela obra.
Já em 28 de janeiro de 2026, moradores voltaram a relatar que as chuvas levavam lama e alagamentos para as ruas da região. Naquele momento, a Aena informou que havia adotado medidas emergenciais e paliativas, como bacias de contenção e reforço do muro, e sustentou que a solução definitiva viria com a conclusão do novo sistema de drenagem previsto no projeto.
Mais recentemente, em 17 de março, o problema voltou a ser tema de reportagem no JM, com novos relatos de barro escorrendo pelo muro do aeroporto e se acumulando na via pública. Na resposta enviada ao jornal, a concessionária afirmou que mantinha atenção permanente às condições do entorno e citou novamente a implantação de drenagem aeroportuária como intervenção estrutural para enfrentar a questão.
A reincidência das ocorrências amplia a cobrança sobre a eficácia das medidas de contenção adotadas ao longo da obra, sobretudo em períodos de chuva intensa. Até o momento, a Prefeitura confirma três autuações, mas não detalhou publicamente quais infrações específicas foram verificadas em cada caso. Por outro lado, a Aena sustenta que os apontamentos vêm sendo acompanhados e tratados.
Com investimento estimado em R$ 150 milhões, a ampliação do aeroporto prevê aumento do terminal de passageiros de cerca de 1,5 mil m² para 4,3 mil m², além de outras melhorias operacionais. A previsão oficial segue sendo de conclusão das obras em junho de 2026.