Gestora começa a cruzar endereços e classificação de risco para ajudar a Saúde a avaliar possíveis vazios assistenciais e organizar o atendimento nos bairros
A origem dos pacientes que procuram as UPAs Mirante e São Benedito será usada para investigar o que leva moradores de diferentes regiões de Uberaba a buscar o pronto atendimento. A Sociedade Educacional Uberabense (SEU), responsável pelas unidades, começou a organizar um levantamento que cruzará endereços e classificação de risco para subsidiar o planejamento da Secretaria Municipal de Saúde.
A proposta é identificar quais áreas geram maior demanda e permitir que o município avalie possíveis dificuldades de acesso ou de resolução dos problemas na atenção básica. O trabalho começou neste semestre, segundo diretor administrativo hospitalar da Sociedade Educacional Uberabense (SEU), Frederico Ramos, que apresentou a iniciativa durante entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM.
A análise deve detalhar, por região, a participação de pacientes classificados como azuis e verdes, de menor gravidade. O objetivo é oferecer à Saúde elementos para avaliar em quais situações o acompanhamento nas unidades básicas poderia evitar o agravamento de doenças e a necessidade de recorrer à urgência.
A procura pelas UPAs, porém, pode ter diferentes explicações. Frederico observa que a possibilidade de fazer exames e receber medicação na mesma unidade também influencia a escolha dos pacientes. Por isso, afirma que será necessário examinar os dados antes de atribuir o movimento de determinada região a uma falha na assistência.
“Talvez não, talvez é isso mesmo, é costume da população. Só que os números vão ajudar a ter essa clareza”, afirmou.
O levantamento será feito a partir das informações já registradas nos atendimentos. Segundo Frederico, a iniciativa foi discutida com representantes da Secretaria de Saúde e da atenção básica. Os resultados deverão ser compartilhados com o município, responsável por avaliar as medidas para cada território.
A discussão ocorre em uma rede que já enfrenta pressão prolongada. Em agosto, o JM mostrou que a UPA Mirante havia passado de uma média de 6 mil a 6,5 mil atendimentos mensais para aproximadamente 10 mil. A São Benedito também superava 10 mil atendimentos por mês. Naquela entrevista, os gestores já relacionavam parte da procura às dificuldades de acesso a outros serviços de saúde.
Na avaliação de Frederico, o acompanhamento regular de pessoas com diabetes, hipertensão e doenças pulmonares crônicas precisa integrar a resposta à sobrecarga. A proposta é atuar antes que esses pacientes apresentem uma piora e precisem de atendimento de urgência ou internação.
O mapeamento ainda está em elaboração. A expectativa da gestão é que o cruzamento das informações permita distinguir necessidades de atendimento nos bairros e hábitos de utilização das UPAs, dando à Secretaria de Saúde uma base mais precisa para organizar a rede.