DIAGNÓSTICO

Outubro rosa: casos de câncer de mama em mulheres jovens preocupam

Mastologista Leandro de Vito alerta que dor não é o único indicativo da doença e reforça que a prevenção deve começar o quanto antes

Joanna Prata
Publicado em 17/10/2026 às 09:06
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O diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para aumentar as chances de sucesso no tratamento do câncer de mama. Durante o Outubro Rosa, o mastologista Leandro de Vito chama a atenção para a importância da mamografia anual a partir dos 40 anos, mesmo na ausência de sintomas, e alerta que alterações como feridas no mamilo, retração da pele e secreção espontânea também merecem avaliação médica. Ao Pingo do J, na Rádio JM, o especialista explica como doença pode evoluir sem provocar dor e ser identificada em estágio inicial apenas pelos exames de rotina. 

De acordo com o médico, um dos equívocos mais comuns é considerar que uma única mamografia seja suficiente. A recomendação apresentada por ele é realizar o exame anualmente a partir dos 40 anos, com acompanhamento individualizado quando houver indicação clínica.  

A investigação também pode identificar alterações antes mesmo da formação de um nódulo. As calcificações encontradas na mamografia, por exemplo, nem sempre representam câncer, mas determinadas características exigem avaliação especializada e, em alguns casos, biópsia. O ultrassom complementa a investigação ao ajudar a diferenciar cistos e nódulos sólidos. 

Além do caroço na mama, outros sinais precisam ser observados: retração da pele, mudanças no formato do mamilo e saída espontânea de secreção. Uma ferida persistente na ponta do mamilo também merece atenção, pois pode estar relacionada à doença de Paget da mama, uma manifestação pouco frequente de câncer que pode passar despercebida. A dor, por sua vez, não é um indicador direto da doença. “O câncer de mama é bem sorrateiro”, alerta Leandro, ao explicar que mesmo tumores maiores podem não provocar dor ou sensibilidade. 

Embora a incidência aumente com a idade, especialmente após os 50 anos, o mastologista também demonstra preocupação com os casos em mulheres abaixo dos 40 anos. Segundo ele, essa faixa etária tem apresentado crescimento no Brasil, sem que exista uma explicação definitiva para o fenômeno. Histórico familiar, predisposição genética, obesidade e sedentarismo estão entre os fatores que precisam ser considerados na avaliação de risco. O médico ressalta, ainda, que a obesidade é um fator modificável e que o controle do peso pode contribuir para reduzir o risco da doença. 

Outro ponto destacado pelo especialista é que a prevenção e o acompanhamento devem considerar as particularidades de cada paciente. Homens trans que mantêm tecido mamário e mulheres trans que desenvolveram esse tecido por ação hormonal precisam de orientação individualizada sobre o rastreamento. Mesmo após uma cirurgia de retirada das mamas, o risco não desaparece completamente, pois pode permanecer tecido mamário residual. Já a cirurgia redutora de risco é indicada apenas em situações específicas, após avaliação genética e acompanhamento multiprofissional, e não elimina totalmente a possibilidade de câncer. 

Os avanços no tratamento também mudaram o cenário da doença. Leandro destaca a evolução dos medicamentos, das terapias direcionadas e da imunoterapia em casos selecionados. Para pacientes submetidas à quimioterapia, a chamada touca gelada pode ajudar a reduzir a queda de cabelo, dependendo do tratamento utilizado. O médico também explica que as pesquisas sobre vacinas terapêuticas contra o câncer estão avançando, mas ainda não existe uma vacina de uso preventivo contra o câncer de mama disponível para a população. A avaliação especializada é fundamental para definir a estratégia adequada a cada tipo de tumor. 

Para o mastologista, o Outubro Rosa deve ir além da divulgação de informações e servir como oportunidade para organizar o cuidado ao longo do ano. Isso inclui avaliar os resultados das campanhas anteriores, ampliar o acesso aos exames e melhorar a articulação entre os serviços de saúde. Em Uberaba, ele considera que o acesso ao atendimento é relativamente favorável, embora ainda existam desafios relacionados à burocracia, à comunicação e à disponibilidade de recursos. A orientação central é não esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento. “Achar uma data, seja aquela data do próprio aniversário, do mês, das férias, ir lá e não tem que ter sintoma, não tem que achar nada”, recomenda Leandro, ao defender que a mamografia faça parte da rotina de cuidados com a saúde. 

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