PROJETO DE GATOS

De uma colônia para seis: projeto de gatos cresce e multiplica demandas em Uberaba

Página que nasceu para acompanhar animais perto da casa da protetora passou a receber pedidos de diferentes regiões da cidade

Débora Meira
Publicado em 12/10/2026 às 17:31
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(Foto/Reprodução)

O que começou como uma página voltada ao cuidado de uma única colônia de gatos acabou se transformando em uma rede de apoio para animais de diferentes regiões de Uberaba. Administrado pela protetora Fernanda Silva, o projeto @projetogato1 foi criado para divulgar castrações, adoções e a rotina de cuidados de gatos que viviam nas proximidades da casa da família dela, mas passou a receber pedidos de ajuda e assumir demandas que, inicialmente, não faziam parte dos planos. 

A ideia inicial era cuidar dos animais da colônia, castrá-los, encaminhá-los para adoção e, posteriormente, retornar para São Paulo, onde Fernanda havia vivido por cerca de dez anos. O planejamento, porém, mudou conforme o vínculo com os gatos aumentou e novos casos passaram a aparecer. “Eu acabei, de certa forma, renunciando à minha vida porque eu assumi o cuidado com esses animais. Ninguém me obrigou, de forma alguma, foi uma decisão minha. Mas hoje eu me vi nessa situação de que eles dependem de mim”, relata Fernanda. 

A relação de Fernanda com os gatos começou antes da criação da página. Segundo ela, havia uma casa abandonada na região onde duas gatas tiveram ninhadas. Os filhotes cresceram acostumados com a presença dela, que passou a cuidar dos animais diariamente, inclusive com alimentação e acompanhamento. 

Com o tempo, Fernanda começou a participar de castrações e percebeu que outras pessoas poderiam contribuir. A partir daí, criou o Instagram para mostrar a rotina, buscar apoio para os animais e divulgar aqueles que poderiam ser adotados. 

O objetivo também era levar informação sobre cuidados, principalmente a importância da castração e da assistência adequada aos animais que vivem nas ruas. “Eu criei o Instagram com o intuito de mostrar a rotina de cuidados, mostrar que dá, sim, para cuidar dos animais na rua com dignidade. Não é porque eles estão na rua que precisam ser cuidados de qualquer jeito”, explica. 

A página, entretanto, passou a receber pedidos relacionados a outros animais. Atualmente, além da colônia original, Fernanda afirma cuidar de outras cinco colônias, com frequência de visitas que varia conforme a necessidade de cada local. 

Mesmo quando há divisão das tarefas com outras pessoas, ela diz que continua concentrando boa parte da organização, incluindo alimentação, limpeza, castração e encaminhamento de animais doentes para atendimento veterinário. 

A castração é apontada por Fernanda como uma das principais frentes do projeto. Quando há mutirões na cidade, ela busca vagas e também tenta conseguir padrinhos para custear procedimentos que não consegue bancar sozinha. 

O trabalho envolve ainda a captura dos animais, separação por colônia, transporte e cuidados antes e depois do procedimento. Em alguns casos, um gato capturado para castração apresenta algum problema de saúde e não pode ser imediatamente devolvido ao local onde vivia. “Às vezes a gente captura um animal e ele está doente, a gente não sabe, não tem um histórico. A gente tem que tratar ele antes de devolver”, conta. 

Segundo Fernanda, a rotina também inclui a busca por ração para outras protetoras e famílias em situação de vulnerabilidade que mantêm animais. Dessa forma, o projeto deixou de ser voltado exclusivamente à própria colônia e passou a funcionar como um canal para pedidos de ajuda de gatos de diferentes pontos do município. 

A ampliação das demandas também trouxe impacto financeiro. No início do projeto, Fernanda afirma que arcava sozinha com alimentação, medicamentos e atendimento veterinário. Atualmente, ela precisa recorrer a campanhas para conseguir pagar procedimentos emergenciais. 

Em alguns casos, segundo o relato, ela assumiu resgates de outros animais utilizando o próprio nome para garantir o atendimento e acabou ficando responsável pelas despesas. Hoje, afirma ter dívidas abertas em cerca de cinco clínicas veterinárias de Uberaba. 

As clínicas, segundo ela, permitem pagamentos parcelados ou mensais, mas os compromissos continuam fazendo parte da rotina. “Veterinário quando precisa, emergência quando precisa, eu tenho que divulgar, eu tenho que pedir ajuda, porque eu não consigo mais manter. Eu assumi resgates de outras pessoas, com o meu nome na clínica, fiquei com a dívida toda para mim”, afirma. 

Fernanda reconhece que parte dessas responsabilidades foi assumida por decisão própria, mas diz que a quantidade de animais em situação de vulnerabilidade faz com que seja difícil ignorar casos que chegam até ela. 

Outro ponto que motivou a criação da página foi a percepção de que pedidos relacionados a gatos nem sempre alcançam a mesma mobilização que casos envolvendo cães. 

Segundo Fernanda, pedidos de ajuda para cães costumam receber mais compartilhamentos e respostas rápidas, enquanto os casos envolvendo gatos acabam restritos, muitas vezes, a pessoas que já atuam ou se interessam pela causa. 

A proposta do @projetogato1 passou, então, a ser também a de funcionar como uma ponte entre os animais que precisam de ajuda e pessoas que podem contribuir, seja com alimentação, castrações, atendimento veterinário ou adoção. 

A protetora também relata que tenta orientar tutores e outras pessoas sobre cuidados com gatos, embora essa parte do trabalho seja uma das que mais têm causado desânimo. 

Hoje, o projeto mantém como prioridades a assistência aos gatos, a castração e a divulgação de pedidos de ajuda. A página pode ser acompanhada pelo Instagram @projetogato1. 

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