Márcia Pinheiro afirma que excesso de atividades e prestações de contas pode comprometer o processo de ensino e aprendizagem
A redução do número de projetos pedagógicos desenvolvidos nas escolas estaduais de Minas Gerais está entre as mudanças defendidas por Márcia Pinheiro, professora de Uberaba que integra a equipe de transição do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). Em entrevista do programa Pingo do J, da Rádio JM, ela afirmou que o volume de atividades e de prestações de contas exigidas dos professores pode comprometer o tempo dedicado ao ensino dos conteúdos curriculares.
Segundo Márcia, a proposta é simplificar a rotina das unidades escolares para concentrar esforços no processo de ensino e aprendizagem. A avaliação considera a experiência de quase 30 anos dela na educação pública, incluindo atuação em sala de aula e na direção escolar. “A gente quer dar uma enxugada nisso para que realmente o processo ensino-aprendizagem flua”, afirma.
A professora explicou que as escolas precisam cumprir as habilidades e competências previstas no Currículo Referência de Minas Gerais e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na avaliação dela, a realização de muitos projetos sobre diferentes temas pode prejudicar o cumprimento desse planejamento. “É preciso realmente deixar o professor trabalhar o que é preciso, dentro da língua portuguesa, da matemática, ciências, não ficar com tantas coisas”, declara.
Márcia também argumentou que parte das atividades poderia ser incorporada ao cotidiano escolar, sem a necessidade de interromper a rotina das aulas para dedicar períodos específicos a cada projeto. Ela afirmou que os professores precisam prestar contas de diversas iniciativas, o que, em sua avaliação, aumenta a burocracia.
A discussão ocorre em meio aos desafios de recuperação das aprendizagens na educação pública. Em Uberaba, o JM Online já noticiou dificuldades relacionadas à alfabetização e a adoção de medidas para identificar defasagens e orientar ações de reforço escolar na rede municipal.
Em reportagem publicada em junho deste ano, o jornal mostrou que 39% das crianças avaliadas no município ainda não haviam alcançado o padrão nacional de alfabetização ao final do 2º ano do ensino fundamental. Na ocasião, a Prefeitura oficializou medidas de monitoramento, recuperação de conteúdos e recomposição da aprendizagem.
Embora os dados citados sejam da rede municipal, o cenário ajuda a contextualizar o desafio de aprendizagem discutido na entrevista. Márcia relacionou a necessidade de priorizar os conteúdos ao período da pandemia de Covid-19, quando as escolas ficaram fechadas por cerca de um ano e meio. “Então, nós já temos um déficit de aprendizagem nesse sentido”, afirma.
A professora, no entanto, não apresentou dados específicos sobre o impacto dos projetos pedagógicos no desempenho dos estudantes da rede estadual nem detalhou quais iniciativas poderiam ser reduzidas ou modificadas.
Apesar da defesa de mudanças na rotina escolar, Márcia afirmou que a equipe de transição não pretende interromper imediatamente as políticas e os projetos já em andamento. Segundo ela, a prioridade inicial é compreender a estrutura da Secretaria de Estado de Educação e garantir a continuidade dos serviços. “Por enquanto, continuar com os projetos do governo para depois, ouvido a comunidade escolar, ouvido todos os envolvidos, a gente dar sequência ao que realmente é importante para o processo de ensino e aprendizagem na rede”, disse.
A integrante da equipe de transição informou que as primeiras reuniões ainda não foram suficientes para avaliar toda a estrutura da pasta. Novos encontros devem ocorrer para aprofundar o diagnóstico das demandas e das ações em andamento.
Ela também afirmou que uma das prioridades será assegurar o início do ano letivo de 2027 sem intercorrências que prejudiquem o funcionamento da rede estadual. Márcia não detalhou quais projetos poderão passar por revisão, nem apresentou prazo para a implementação de eventuais mudanças. As decisões, segundo ela, dependerão da análise das políticas existentes e da escuta da comunidade escolar.