Foram captados 96 órgãos e tecidos, número acima da média nacional, com impacto direto na fila de pacientes à espera de transplante
Doação de órgãos no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM/Ebserh) cresceu em 2025. Dados revelados pela CIH-DOTT (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes) apontam para a captação de 96 órgãos e tecidos no hospital, em Uberaba, que resultaram em 55 procedimentos, sendo a maioria de córneas. Em contrapartida, no ano anterior foram registradas cerca de 50 captações, que resultaram em 36 transplantes.
De acordo com o levantamento, o hospital registrou 970 óbitos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro e realizou busca ativa em 100% dos casos. No período, a comissão contabilizou 23 confirmações de morte encefálica, com 22 entrevistas feitas com famílias para doação de órgãos e tecidos. Destas, 16 autorizações foram concedidas e seis não foram autorizadas.
Idealizador do projeto “Vida pela Vida”, voltado à conscientização sobre doação de órgãos, o médico intensivista Ilídio Antunes revela ao Jornal da Manhã que a taxa de autorização familiar em Uberaba chegou a 72,72% para órgãos de doadores com morte encefálica, acima da média nacional de 50%. Para tecidos oculares em casos de parada cardíaca, 28,88% das famílias autorizaram a doação.
O que foi captado no ano
Entre as captações realizadas em 2025 no HC-UFTM, as córneas lideraram, seguidas por rins e fígado.
Ranking das captações no HC-UFTM (Uberaba) em 2025:
“Uma única doação de múltiplos órgãos pode beneficiar de seis a oito pessoas”, afirma o médico, destacando ainda que o HC-UFTM mantém tempo médio de 12 a 18 horas entre a doação e o início da cirurgia, com apoio de laboratórios regionais.
Transplantes realizados
O balanço também registra 55 transplantes realizados em 2025, com maior volume em córneas. No recorte informado, foram 39 transplantes de córneas, 10 transplantes renais com doador em morte encefálica, três transplantes de células-tronco hematopoéticas e três procedimentos envolvendo tecido ósteo-tendíneo-ligamentar.
A comissão reforça, ainda, que o resultado anual representou 96 captações que, na leitura do grupo, retiraram pacientes da fila de transplantes.
Cenário Nacional
No Brasil, o país é o segundo maior doador de órgãos do mundo. Em 2025, foram realizados 7.098 transplantes de órgãos e 12.746 de córneas, totalizando 19.844 procedimentos. Apesar do avanço, a fila de espera ainda é grande: 47.286 pessoas aguardam por órgãos e 33.260 por córneas. O rim continua sendo o órgão mais transplantado e o mais requisitado, com 4.746 procedimentos realizados e 43.867 pacientes na fila.
Dos transplantes realizados, a maioria foi de rim (4.746), seguida de fígado (1.868) e coração (304). Os dados indicam predominância masculina nos transplantes de órgãos (62%) e feminina nas córneas (54%). A faixa etária mais frequente, tanto nos transplantes quanto nas listas de espera, é entre 35 e 49 anos.
Entre os estados, São Paulo lidera em transplantes, com 2.088 órgãos e 4.104 córneas, enquanto Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 1.468 procedimentos (708 órgãos e 760 córneas), consolidando o estado como referência nacional. Especialistas apontam que, apesar dos avanços, a demanda ainda supera a oferta, reforçando a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos e fortalecer a atuação de hospitais e equipes especializadas.
Como ser doador
A doação depende de autorização da família. Por isso, a orientação central das equipes de captação é que a pessoa manifeste seu desejo ainda em vida e converse com familiares, para que a decisão seja conhecida e respeitada em caso de necessidade.