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El Niño pode prolongar estiagem e agravar calor em Uberaba no 2º semestre

Fenômeno tem alta chance de formação e pode atrasar chuvas, piorar a qualidade do ar e afetar a agropecuária

Débora Meira
Publicado em 14/06/2026 às 10:38
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Com alta chance de formação no segundo semestre, o fenômeno El Niño pode intensificar o calor, prolongar a estiagem e agravar ainda mais a qualidade do ar em Uberaba, em um momento em que a cidade já registra alerta devido à baixa umidade. 

De acordo com a professora Alcione Wagner, os modelos meteorológicos indicam alta probabilidade de ocorrência do fenômeno nos próximos meses. “Os modelos meteorológicos indicam até 80% de possibilidade de El Niño a partir de julho. Para a Organização Meteorológica Mundial, a chance chega a 90% de início no segundo semestre”, explica. 

A confirmação, no entanto, ainda depende de novas atualizações internacionais. O próximo relatório da NOAA, previsto para 19 de junho, deve trazer dados mais precisos sobre o comportamento das águas do Oceano Pacífico, que influenciam diretamente na formação do fenômeno. 

Caso se confirme, os efeitos devem começar de forma gradual a partir de julho, com maior intensidade no último trimestre de 2026 e reflexos que podem se estender até o início de 2027. 

Na avaliação da climatologista, os impactos em Uberaba e no Triângulo Mineiro devem incluir principalmente o atraso no início da estação chuvosa e o aumento das temperaturas no fim do ano. “A região é principalmente afetada pelo atraso no início das chuvas e pelo aumento das temperaturas, com ondas de calor mais intensas no último trimestre”, afirma. 

Segundo ela, com a atmosfera mais aquecida, também cresce a possibilidade de chuvas irregulares. “O retorno das chuvas ocorre com atmosfera mais aquecida, o que aumenta a possibilidade de temporais e granizo”, acrescenta. 

O fenômeno tende a agravar um cenário já comum no período seco da região, com baixa umidade do ar, ressecamento da vegetação e aumento do risco de queimadas. 

A previsão é de que as chuvas mais consistentes retornem apenas em novembro, o que pode prolongar o período de estiagem e impactar rios, reservatórios e o nível do lençol freático. 

Além dos impactos ambientais, o setor produtivo também deve ser afetado. A agropecuária é uma das áreas mais vulneráveis, com reflexos em culturas como soja, cana-de-açúcar, café e hortaliças. “A produção é afetada em diferentes setores, como cana, soja, café, hortaliças e pecuária, com impacto direto na produtividade e possível elevação de preços”, destaca a professora. 

Apesar do cenário de atenção, ela reforça que não há motivo para alarmismo, mas sim para planejamento. “Não é necessário alarmismo, mas planejamento antecipado”, afirma. 

A orientação é para cuidados com a saúde, especialmente em grupos vulneráveis, economia de água e prevenção de queimadas durante o período de baixa umidade. 

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