AMEAÇAS

Profissionais das UPAs relatam ameaças após negativa de atestados em Uberaba

Gestão afirma que documentos só são emitidos com justificativa clínica e mantém declarações de comparecimento

Débora Meira
Publicado em 14/06/2026 às 09:16
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A política de controle na emissão de atestados médicos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Uberaba ainda enfrenta resistência de parte dos pacientes. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o diretor administrativo hospitalar da Sociedade Educacional Uberabense (SEU), Frederico Ramos, afirmou que profissionais das unidades chegam a ser pressionados e ameaçados quando negam a emissão do documento sem justificativa clínica. 

Segundo ele, ainda há pessoas que procuram atendimento com o objetivo principal de obter afastamento do trabalho. “Tem alguns pacientes que a gente vê que eles não estão sendo tão verdadeiros com sintomas. Eles estão forçando um atestado. Inclusive, eles pedem e ameaçam a gente se a gente não fornecer”, relata. 

A declaração ocorre cerca de um ano após a implantação de medidas para restringir a emissão de atestados sem necessidade médica comprovada. Desde junho de 2025, as UPAs passaram a adotar exclusivamente critérios técnicos para concessão do documento, mantendo para os demais casos apenas a declaração de comparecimento.  

Na época, levantamento da SEU apontou que as duas unidades emitiram mais de 129 mil atestados desde dezembro de 2023, média de 240 por dia. O estudo também mostrou que 158 pacientes acumularam, juntos, quase 3.500 atestados em apenas 18 meses. 

O responsável técnico da UPA São Benedito, Alexandre Azambuja, reforçou que todos os pacientes continuam recebendo declaração de comparecimento, documento que comprova o período em que permaneceram na unidade. “O tempo que o paciente ficou ali dentro da unidade, ele vai receber essa declaração de comparecimento”, explica. 

Azambuja afirmou ainda que há períodos em que a procura por atestados aumenta significativamente. “O que a gente observa que, às vezes, não é um sintoma tão verdadeiro, é que um pós-feriado, por exemplo, aumenta essa demanda de atendimento. Então, aumenta essa solicitação de atestado”, disse. 

Segundo ele, uma das medidas adotadas foi reforçar a orientação dos médicos sobre a responsabilidade ética e legal na emissão dos documentos. “A gente fez até uma capacitação com todos os médicos para orientar. Foi com a doutora Fabiana, junto com o CRM de Minas”, destaca. 

Já a responsável técnica da UPA Mirante, Brunella Chinen, ressaltou que a concessão de atestados depende de avaliação individualizada. “Cada caso é avaliado. O critério é feito de acordo com as condições clínicas de cada paciente”, afirma. 

Ela explicou que fatores como intensidade dos sintomas, evolução do quadro, exames realizados e resposta ao tratamento são considerados antes da decisão sobre eventual afastamento das atividades. Brunella também avaliou que as medidas adotadas reduziram a procura de pessoas interessadas apenas no documento.  

Segundo a médica, situações antes frequentes passaram a ser menos comuns. “Antes era comum observar pacientes de grandes empresas chegando dois, três, todos juntos ali. A gente tem observado menos. Acredito que teve efeito”, finaliza. 

A gestão das UPAs sustenta que os atestados continuam sendo concedidos aos pacientes que realmente necessitam de afastamento por motivos de saúde. Segundo a instituição, o objetivo das mudanças é evitar abusos, reduzir a sobrecarga das unidades e garantir que o documento seja emitido apenas quando houver indicação clínica. 

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