CIDADE

Empresários se desdobram para driblar crise e não fechar portas

A situação é ainda pior para pequenos empresários, principalmente para os instalados em bairros que têm que usar da criatividade para driblar a crise

Letícia Morais
Publicado em 09/05/2016 às 08:40Atualizado em 16/12/2022 às 18:58
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Marcos Paulo

Em muitos pontos da cidade, além do pouco movimento, grande número de comerciantes fechou as portas

A atual conjuntura do País tem deixado empresários de mãos atadas. O IBGE estima que, em 2015, as vendas caíram 4,3% no Brasil. Sendo que quase 100 mil comerciantes fecharam as portas. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio, que considera essa a pior crise dos últimos 15 anos.

Seguindo a tendência nacional, muitos comerciantes em Uberaba já fecharam as portas.

Os empresários uberabenses precisam se desdobrar para se manter de pé. É o caso da comerciante Thaisa Carolina de Oliveira, que trabalha com loja de roupas, acessórios e brinquedos na Vila Celeste. “O movimento está muito fraco e as pessoas estão economizando muito. Por isso, coloquei uma parte só de brechó, e isso é o que está me dando mais lucro atualmente”, avalia.

Na avaliação do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Uberaba (CDL), Fúlvio Ferreira, o governo está conseguindo fazer um mal muito grande para todas as empresas. Fúlvio afirma que a situação em Uberaba não é diferente, especialmente nas pequenas empresas. “Recomendamos que os empresários cuidem com muita atenção de todos os seus custos, especialmente do valor do aluguel. Abaixar os preços, negociar, apostar em promoções, porque, infelizmente, no Brasil existem muitas tributações que só pesam no dia a dia do empresário”, afirma.

Ainda de acordo com Fúlvio, existem muitas empresas que não fazem uma boa gestão de estoque, que é extremamente importante, principalmente em tempos de crise. “O pequeno empreendedor precisa cuidar muito bem disso. Ele precisa ter aquilo que está girando e bons parceiros que possam mandar mercadorias. O empresário não pode deixar dinheiro parado”, pondera.

Economista elenca diretrizes básicas para a sobrevivência dos comércios

O economista Marco Antônio Nogueira orienta os empresários no sentido de aplicarem três diretrizes básicas para qualquer negócio, seja ele pequeno, médio ou grande. “O primeiro é a redução de despesas. Não é para cortar o cafezinho, mas tirar as despesas que não agregam valor. A segunda diretriz é aumentar a liquidez e ter dinheiro em caixa. Com isso, é possível fazer aplicações rentáveis e comprar melhor do seu fornecedor. O terceiro ponto é não perder cliente. Vale a pena, às vezes, reduzir a margem de lucro e melhorar as formas de pagamento, para ter o cliente comprando”, explica.

A gestão de uma empresa é a principal forma de manter as portas abertas nas épocas de crise, segundo Marco Antônio. “É necessário ter uma ótima planilha de fluxo de caixa e gerenciar esses recursos. Além disso, verificar oportunidades, porque muitas vezes um concorrente direto seu não consegue sobreviver à crise e o empresário pode ir lá comprar a base de clientes dele. Então, nesses momentos de crise é claro que muitos negócios se retraem, mas também surgem outras oportunidades”, alerta o economista.

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