Sintracol cita atrasos salariais; Transube diz que sistema não se sustenta apenas com tarifas e cobra resposta da Prefeitura
O Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Uberaba (Sintracol) divulgou carta aberta à população para comunicar que a categoria se encontra em estado de greve. A decisão foi aprovada em assembleia realizada nesta semana em Uberaba. Segundo a entidade, a medida foi motivada por atrasos recorrentes no pagamento dos salários, que estariam prejudicando trabalhadores e famílias. Questionada pelo Jornal da Manhã, a Transube confirmou ciência da situação e atribui ao impasse nas negociações no que tange ao subsídio pago pela Prefeitura de Uberaba. A administração municipal também foi acionada pela reportagem.
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Na carta aberta à população, o sindicato afirma que o estado de greve é uma medida preventiva e reforça que não significa paralisação imediata, mas um alerta e uma forma de buscar diálogo.
O presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Uberaba (Transube), André Campos, confirmou ao Jornal da Manhã que a decisão do sindicato abre margem para paralisação caso haja novo atraso. “O sindicato aprovou em assembleia o estado de greve, isto significa que podem parar caso ocorra atraso no pagamento”, afirmou.
André também atribuiu o impasse à falta de definição sobre o subsídio e à situação financeira do sistema. “A questão envolve o subsídio, as empresas não têm como manter o sistema somente com a cobrança das passagens. Sem o subsídio não tem como manter o sistema”, disse.
Segundo ele, as empresas protocolaram o pedido de tarifa técnica em dezembro de 2025 e aguardam retorno do Executivo. “Protocolamos o pedido da tarifa técnica em dez/25, estamos aguardando a Prefeitura. Fizemos várias reuniões, mas até o momento não temos nenhuma resposta”, completou. Questionado sobre o ofício assinado pelos gestores e encaminhado ao Gabinete pedindo soluções, ele informou que ainda não houve retorno.
André Campos também fez um comparativo sobre o subsídio do ano passado e a projeção para 2026. “O ano passado o subsídio foi de R$ 16 milhões, mesmo assim tivemos um desequilíbrio de aproximadamente R$ 4 milhões. Este ano com queda de passageiros e o aumento dos custos do sistema, se mantiver o valor da passagem atual, será necessário R$ 30 milhões de subsídio, insustentável”, afirmou.
A possibilidade de paralisação do transporte coletivo já havia sido divulgada pelo jornalista Wellington Cardoso, na coluna Falando Sério, diante da falta de sinalização do Executivo sobre a discussão da tarifa e do subsídio para 2026. Os administradores das empresas, inclusive, estariam enviando recursos para bancar o serviço em Uberaba há dois meses, situação que tem gerado descontentamento.
A reportagem acionou a Prefeitura de Uberaba para saber como está a negociação do subsídio e se existe previsão de resposta sobre tarifa técnica para 2026. A administração municipal informou, inicialmente, que o corpo técnico da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) já realizou as primeiras análises e considerações necessárias a respeito do processo para avaliação da tarifa técnica do transporte coletivo e aguarda retorno das concessionárias.
A reportagem acionou a Prefeitura de Uberaba para saber como está a negociação do subsídio e se existe previsão de resposta sobre a tarifa técnica para 2026. Em nota, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) informou que está em tratativas com as empresas Líder e São Geraldo, concessionárias do transporte coletivo, para a definição da tarifa técnica do serviço. Segundo a Pasta, o corpo técnico já apresentou as primeiras análises e considerações necessárias para a avaliação do processo e recebeu retorno das concessionárias na tarde da última quinta-feira (22). "Após a definição da tarifa técnica, a Semob encaminhará o tema ao Conselho Municipal de Transporte Público de Uberaba (CMTP), que atuará em caráter consultivo. Havendo possibilidade de reajuste tarifário, será realizada audiência pública, em conformidade com o Artigo 177, §5º, da Lei Orgânica do Município", destacou.
Ainda conforme a Semob, concluídas as etapas técnicas e considerada a manifestação da população, os cenários serão apresentados ao Legislativo Municipal, podendo resultar na elaboração de projeto de lei para eventual concessão de subsídio ou subvenção, a ser apreciado pela Câmara de Vereadores.