PROFISSIONAIS

Falta de capacitação para neurodivergência compromete acolhimento em Uberaba, avalia especialista

Doutora em educação inclusiva defende formação continuada, trabalho em rede e protocolos claros para crises em escolas

Débora Meira
Publicado em 10/02/2026 às 15:28
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A falta de profissionais preparados tecnicamente para lidar com a neurodivergência compromete o acolhimento de alunos em Uberaba. A avaliação é da doutora em educação inclusiva, Denise Scussel. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, ela pondera que, apesar das políticas federais vigentes desde 2008, a escassez de formação continuada e de profissionais capacitados impacta diretamente o atendimento a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e outras condições. 

Segundo Denise, a rede pública enfrenta dificuldades estruturais para atender a demanda crescente por educação inclusiva. O problema passa pela quantidade de profissionais e pelo preparo técnico adequado para lidar com a neurodivergência em ambiente escolar. De acordo com a especialista, o trabalho em rede é o melhor caminho para garantir segurança, aprendizagem e desenvolvimento integral dos estudantes. “Quando falamos em inclusão, é um trabalho amplo, que tem que ser trabalhado de forma de políticas públicas, de ter um governante ou vários governantes que lideram isso, que a cidade seja inclusiva”, pondera. 

A doutora em educação inclusiva também critica a proposta de centralizar o atendimento de alunos neurodivergentes em instituições especializadas. Para Denise Scussel, a aprendizagem deve ocorrer na escola regular, com os apoios necessários. “Transformar uma escola regular em uma instituição especializada não é adequado. As instituições existem para complementar o trabalho da escola, oferecendo atendimento clínico e educacional especializado, mas a aprendizagem acontece na escola regular, beneficiando todos os alunos”, explica.    

Caso recente ocorrido na Escola Municipal Joubert de Carvalho reforça o debate. A Polícia Militar foi acionada a prestar apoio no local durante um episódio envolvendo aluno neurodivergente. A falta de um protocolo claro de atuação da comunidade escolar envolvendo casos semelhantes já foi denunciada pela presidente do Sindicato dos Educadores Municipais de Uberaba (Sindemu), Thaís Villa, e também é defendida por Denise Scussel.  

A especialista ressalta que, quando uma crise acontece, a intervenção precisa ser feita por equipes capacitadas, com foco na segurança de todos. “Quando o surto acontece, ele já aconteceu. Precisamos de equipes treinadas para intervir de forma segura e eficiente, e o suporte do professor de apoio é fundamental, mas o aluno é do regente, não do apoio. Cada situação exige estudo, observação e trabalho em equipe”, afirma. 

A doutora também chama atenção para a descontinuidade de políticas públicas na área. Segundo Denise, projetos e atendimentos já estruturados sofrem interrupções ao longo do tempo, comprometendo os avanços. Para ela, a educação inclusiva precisa de planejamento permanente, investimento em formação continuada e articulação entre diferentes setores, sem cortes ou retrocessos. 

Para ela, a educação inclusiva não beneficia apenas os alunos com necessidades especiais, mas toda a comunidade escolar. “Quando crianças e jovens convivem com colegas neurodivergentes, a concepção de respeito, empatia e diversidade é fortalecida. O contrário é criar uma sociedade segregacionista e preconceituosa”, conclui. 

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