A pressão sobre os leitos hospitalares em Uberaba, especialmente de UTI, não é recente e reflete um problema estrutural da rede regional de saúde. Mesmo com a normalização recente no fluxo de atendimentos, episódios registrados nos últimos meses evidenciam o impacto da alta demanda vinda de municípios vizinhos e a limitação da capacidade instalada na cidade.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Valdilene Rocha, Uberaba conta atualmente com 732 leitos, sendo 75 de UTI, que atendem não apenas a população local, mas pacientes de toda a macrorregião. “A gente passa um pouco apertado porque cidades como Frutal e Iturama ainda não têm leitos de UTI. Então, todos vêm pra cá”, afirma.
Segundo ela, houve um período recente de maior pressão na rede. “Foi um período de 20 a 30 dias com muita gente no pronto-socorro, o que gerou retenção de macas. Mas isso já foi resolvido e não está acontecendo mais”, ressalta.
O cenário citado pela secretária tem respaldo em ocorrências recentes. Em janeiro deste ano, quase 50 pacientes tiveram atendimentos prejudicados devido à retenção de macas hospitalares, o que comprometeu transferências entre UPAs e hospitais. Na ocasião, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) chegou a operar com mais de 200% da capacidade no Pronto-Socorro Adulto, enquanto a taxa geral de ocupação de leitos na rede atingia 159%.
A retenção de macas, apontada como medida emergencial pelo hospital, impacta diretamente o transporte de pacientes, já que reduz a disponibilidade de ambulâncias nas unidades de pronto atendimento. Dados da Sociedade Educacional Uberabense (SEU), responsável pelas UPAs, indicam que o problema não é pontual: foram 68 casos entre setembro e dezembro de 2025 e outros 16 registros apenas no início de 2026.
Para tentar reduzir a sobrecarga, Uberaba aposta em medidas de ampliação da estrutura local. Entre elas, está a previsão de equipar cinco novas salas cirúrgicas no Hospital Regional, o que deve aumentar a rotatividade de leitos, além da abertura de 15 novos leitos na unidade. “Isso vai amenizar a situação, mas não resolve totalmente”, pondera Valdilene.
A principal saída, segundo a secretária, está fora dos limites do município. A estruturação de cidades da região é vista como essencial para equilibrar a demanda. “Se Frutal e Iturama tiverem UTI, isso desafogaria muito Uberaba”, reforça.
O cenário reforça a dependência de pactuações entre municípios e investimentos estaduais e federais para ampliar a capacidade assistencial. Enquanto isso, Uberaba segue como referência regional em alta complexidade pelo SUS, absorvendo uma demanda que frequentemente ultrapassa sua estrutura e pressiona o sistema de saúde local.