CIDADE

Família se revolta com tratamento dado a paciente no HC da UFTM

Além do paciente ter recebido alta sem estar em condições de ir para casa, segundo a família, ele teria sido alvo de chacotas no interior do Hospital de Clínicas

Geórgia Santos
Publicado em 21/05/2014 às 20:52Atualizado em 19/12/2022 às 07:41
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Família de paciente que morreu após atendimento no Hospital de Clínicas em Uberaba diz que profissionais da instituição foram negligentes. No início do mês, o técnico de radiologia Carlos Alexandre Alves de Araújo tentou contra a própria vida ao pular de um viaduto. Por conta das fraturas, foi levado pelo Samu ao Hospital de Clínicas, onde realizou cirurgia, mas segundo a família recebeu péssimo atendimento, tendo os trabalhadores debochado dele em virtude da causa dos ferimentos, além de receber alta, mesmo não estando em condições de ir para casa. Tanto que Alexandre morreu no mesmo dia na casa da família, sentindo fortes dores.

Segundo Davi Leandro Santos Correia, que é primo de Alexandre, todos da família ficaram impressionados com a forma que o parente foi tratado no Hospital de Clínicas durante o tempo que esteve no local. “Primeiro, nunca imaginávamos que ele tinha alguma depressão, a ponto de tentar se matar. Sempre foi uma pessoa alegre e divertida. Mas segundo informações que recebemos, além de pular de um viaduto, ele também tentou se matar passando na frente de uma moto. Mas, a todo momento, quando conversei com ele dizia ter se arrependido das suas  atitudes, e por isso todos têm uma segunda chance”, afirma Davi.

No HC, segundo a família, a partir de relatos de Alexandre, os funcionários debocharam muito dele por ter tentado suicídio. “Falavam que ele deveria ter mais coragem para tentar se matar. Toda vez que ele chamava por um enfermeiro diziam que não tinha disponível para atendê-lo e quando um acompanhante chamava para ele, perguntavam se era o paciente que tentou pular da ponte, aí diziam novamente que não havia enfermeiro. Ele ficou dias sem tomar banho e também sem realizar as necessidades fisiológicas no banheiro, somente tomou banho antes da cirurgia”, explica Davi.

Logo após a operação, dois dias depois, recebeu alta. Situação que causou indignação à família. Segundo Davi, o primo, desde a primeira vez não tinha condições de ir para casa, ainda sentia muitas dores, e ninguém sabia cuidar dele como devia, pois era um caso sério, foram cinco fraturas pelo corpo. Mas mesmo assim, ele recebeu alta, e sem nenhuma orientação por parte do médico, a família levou Alexandre para casa. “Um dia depois, sentiu dores fortes e o levamos novamente ao hospital. No dia seguinte deram alta novamente para meu primo, no entanto ele mesmo dizia que deveria ficar ali e que não estava bem para ir embora. Chegamos a questionar o médico, mas foi em vão. E assim ele foi para casa, depois de dar um abraço na minha mãe, porque era Dia das Mães, ele se sentiu tonto e teve uma parada cardiorrespiratória. O Samu foi acionado, mas ele já estava morto. E a morte dele mostra que ele deveria ter ficado no hospital”, afirma.

A família está revoltada. Davi disse que todo paciente deve ser tratado da mesma forma, independente do fato que o levou a estar ali. “Médicos e enfermeiros não podem fazer distinção de pacientes. Vamos tomar providências, levar uma carta à Ouvidoria do hospital e também buscar o Ministério Público, para que isso não se repita”, finaliza Davi.

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