
Chuva forte deixou um rastro de destruição em Juiz de Fora, na Zona Mata (Foto/Alex de Jesus/O TEMPO)
A tempestade histórica que matou ao menos 36 pessoas na Zona da Mata mineira acende um alerta também para Uberaba e o Triângulo Mineiro. O mesmo padrão atmosférico que provocou o desastre continua atuando sobre o Sudeste. Para esta quinta-feira (26), a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de 17 milímetros de chuva em Uberaba e, para sexta, mais 4 mm, somando 21 milímetros em dois dias, volume que representa 8,7% da média prevista para todo o mês. Segundo o Climatempo, até o dia 24 já choveu 141 mm no município, o equivalente a 59% do esperado para fevereiro.
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De acordo com a climatologista Wanda Prata, o fenômeno que atingiu a Zona da Mata não foi isolado e pode ocorrer também no Triângulo. Ela explica que há uma massa de ar muito quente sobre o continente, com temperaturas acima de 40 graus na Argentina, que ao se encontrar com frentes frias vindas do Sul forma grandes nuvens carregadas e instáveis. “Quando essas massas se chocam, formam nuvens muito altas e a diferença de temperatura faz o vento descer com muita força. Ele bate no chão como uma explosão”, afirmou.
Segundo Wanda, esses sistemas convectivos, responsáveis por chuvas intensas em pouco tempo, estão se formando com frequência e podem atingir qualquer ponto do Sudeste. “Não estamos livres. Pode acontecer aqui no Triângulo também”, alertou. Ela destaca que é possível prever chuva significativa na região, mas não exatamente onde o núcleo mais intenso vai se concentrar.
Em Juiz de Fora, o agravante foi a repetição das tempestades sobre a mesma área, acumulando cerca de 300 milímetros em 24 horas, o que provocou deslizamentos em uma cidade marcada por morros e ocupações em encostas. Em Uberaba, embora o risco de deslizamento seja menor, grandes volumes concentrados podem causar enxurradas, alagamentos e transbordamento de córregos, como já ocorreu em episódios anteriores.
A climatologista afirma que o período chuvoso segue até os primeiros dias de março e que novas frentes frias devem continuar encontrando o ar quente sobre o continente, mantendo o cenário de instabilidade. Além disso, há previsão de formação de um novo episódio de El Niño a partir da segunda quinzena de março, o que pode reforçar ainda mais os extremos climáticos nas próximas semanas.