
Animais seguem sendo cuidados no HVU (Foto/Divulgação)
Os três filhotes de gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) completaram uma semana de vida no Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Uniube (HVU) e seguem sendo amamentados pela mãe, que permanece sob acompanhamento clínico e manejo controlado pela equipe. Desde o parto, a condução do caso tem priorizado a manutenção do vínculo materno e a redução máxima de estímulos estressantes, com monitoramento contínuo e mínima intervenção direta.
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De acordo com a equipe do HVU, durante a primeira semana não foi realizado manejo direto dos filhotes, justamente para preservar a estabilidade do comportamento materno nesse período inicial, considerado delicado em felídeos silvestres.
A conduta adotada baseia-se em cautela técnica e em recomendações presentes na literatura científica sobre felinos silvestres. Alterações precoces no ambiente, distúrbios excessivos ou intervenções inadequadas podem comprometer o cuidado materno em algumas espécies. Diretrizes europeias para o manejo de felídeos recomendam, de forma expressa, que mãe e filhotes não sejam perturbados na primeira semana após o nascimento, destacando que podem ocorrer comportamentos como agressividade, recusa em amamentar, falta de atenção ou rejeição dos filhotes.
Há registros semelhantes em outras espécies de felídeos. Em tigres mantidos em cativeiro, há descrições de rejeição materna e até abandono associados à interferência humana, o que, em alguns casos, exige a criação assistida dos filhotes. Em material compilado pela Central Zoo Authority da Índia, também são citados casos de abandono decorrente de interferência humana, além de episódios de rejeição materna em diferentes instituições zoológicas.
Relatos envolvendo leões-asiáticos mantidos em cativeiro indicam que mais de 50% das mortes ocorreram entre filhotes recém-nascidos, tendo como principais causas a ausência de cuidado parental e o estresse. Manuais técnicos de manejo apontam que fêmeas nervosas ou de primeira cria podem demandar três semanas ou mais para atingir maior estabilidade comportamental, sendo desaconselhada qualquer intervenção precoce quando mãe e filhotes apresentam condições clínicas satisfatórias.
No caso acompanhado pelo HVU, o quadro atual é considerado favorável dentro das condições observadas até o momento, uma vez que os filhotes permanecem com a mãe e continuam mamando normalmente.
O acompanhamento clínico e comportamental segue sendo realizado por médicos-veterinários, aprimorandos, preceptores e alunos do curso de Medicina Veterinária da Universidade do Agro, sempre com foco no bem-estar, na segurança e na conservação da espécie.
“O período neonatal em felídeos silvestres exige muita cautela. Na primeira semana, nossa prioridade foi preservar o vínculo entre a mãe e os filhotes, evitando ao máximo a aproximação. Essa conduta é tecnicamente importante porque já há relatos, em outras espécies de felídeos, de rejeição, recusa de amamentação e ausência de cuidado materno quando esse processo é interrompido ou quando há distúrbio excessivo. Neste caso, os filhotes seguem mamando, o que é um sinal muito positivo”, destaca o médico-veterinário responsável pelo Setor de Animais Silvestres do HVU, Cláudio Yudi.
Após esse período inicial e assim que houver estabilidade clínica e comportamental compatível com o transporte, a fêmea e os filhotes deverão ser encaminhados ao CETRAS de Patos de Minas, onde o grupo seguirá dentro do fluxo oficial de triagem, reabilitação e destinação da fauna silvestre.