
Várias cidades registraram adesão, com carreatas e atos públicos, como em São Paulo e Brasília (Foto/Divulgação)
Manifestação nacional de motoristas de aplicativo teve adesão de profissionais em Uberaba. A categoria se reuniu nesta terça-feira (14) contra o Projeto de Lei 152/2025, que trata da regulamentação dos serviços de transporte individual de passageiros e entregas por aplicativo. Em Uberaba, a concentração ocorreu na avenida Santa Beatriz e a adesão foi parcial, segundo um dos mobilizados informou ao Jornal da Manhã.
Várias cidades registraram adesão, com carreatas e atos públicos, como em São Paulo e Brasília. A categoria critica pontos do texto em discussão na Câmara dos Deputados, especialmente em relação às taxas cobradas pelas plataformas e às condições de trabalho dos motoristas.
Em Uberaba, o motorista Tiago Andruccioli afirmou que, caso o projeto fosse aprovado da forma como estava, representaria um retrocesso para a categoria. Segundo ele, as taxas praticadas pelas plataformas são um dos principais fatores de insatisfação entre os trabalhadores.
“As taxas das plataformas são extremamente abusivas e com os valores atuais está impossível manter veículo e sobreviver. O motorista está ficando mais de 12 horas por dia na rua, passa a maior parte do tempo recusando corrida até aceitar alguma corrida com preço próximo do justo e ainda assim está indo pra casa sem conseguir bater o faturamento mínimo pra se manter”, afirma Tiago.
O motorista também criticou a ausência de pontos considerados essenciais pela categoria no texto do projeto. “O que a gente pede é um mínimo de R$ 10 por corrida, R$ 2,50 por quilômetro rodado, teto para taxa das plataformas, pontos de apoio, transparência do algoritmo e adicional noturno. A única coisa que apareceu na PL foi a tributação do motorista”, disse.
Tiago avalia que a adesão ao movimento em Uberaba foi parcial e atribui isso a dois fatores principais. “A adesão à paralisação em Uberaba é parte por desinformação, porque muita gente nem sabia do movimento, e parte por falta de consciência de classe. Tem muita desinformação entre os motoristas. A categoria precisa se unir mais”, reforça.
Ainda conforme Tiago, um grupo deve seguir em carreata às 23h com destino a Brasília para acompanhar as novas mobilizações.
A mobilização também acontece em meio a debates nacionais sobre a regulamentação do setor.
O Projeto de Lei 152/2025 ainda não foi votado na Câmara dos Deputados após retirada de pauta. A proposta segue em discussão no Congresso.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber e 99, afirma que há pontos no texto que precisam de ajustes, principalmente sobre limites de taxas e impactos na operação das plataformas.