Médica se sensibilizou com reportagem do JM, forneceu receitas, medicamentos e consulta sem custos à paciente
Dra Camila Batalha ao lado de Joseli, filha da idosa que ficou sem tratamento na rede pública de Uberaba (Foto/Arquivo pessoal Camila Batalha)
A idosa de 86 anos com Alzheimer, que ficou sem consulta neurológica e sem a renovação da receita dos medicamentos de uso contínuo, ganhou novos desdobramentos após a publicação da reportagem do Jornal da Manhã. Enquanto a família relata ter recebido a orientação de procurar diariamente a unidade de saúde em busca de um encaixe, uma neurologista se sensibilizou com o caso e decidiu prestar atendimento gratuito à paciente.
Segundo os familiares, após tentarem resolver o problema junto à rede municipal, foram informados de que a única alternativa seria levar a idosa todos os dias à unidade de saúde para tentar uma consulta por encaixe. A orientação causou revolta, principalmente pelas limitações físicas da paciente.
Em vídeo encaminhado ao WhatsApp do Jornal da Manhã, a idosa aparece utilizando um andador para se locomover, o que torna a ida à unidade de saúde ainda mais dificultosa. A família afirma que, a cada tentativa de atendimento, precisa recorrer a motoristas de aplicativo para levá-la até a unidade de saúde, o que representa novos gastos e um desgaste físico e emocional para todos.
Sensibilizada com a reportagem, a médica neurologista Camila Fedato Batalha procurou espontaneamente os familiares e decidiu oferecer ajuda.
A médica disponibilizou as receitas necessárias para garantir a continuidade do tratamento, forneceu os medicamentos utilizados pela paciente e agendou uma consulta gratuita para reavaliar o quadro clínico de sua mais nova paciente.
A neurologista destacou que enxerga a profissão para além do consultório.
"Eu costumo dizer que a medicina vai além do diagnóstico e do tratamento. Sempre que temos a oportunidade de estender a mão e transformar a realidade de alguém, todos saem ganhando", disse ela ao JM.
Com 12 anos de atuação na especialidade, Camila Batalha relata que a prática profissional a possibilitou ajudar muitas famílias em situações de vulnerabilidade. "Ao longo da minha trajetória, já participei de outras ações solidárias e procurei oferecer apoio em diferentes situações, sempre que possível. Cada caso é único, mas poder fazer a diferença na vida de alguém é algo que considero muito gratificante", comenta a médica.
Diante das novas informações apresentadas pela família, a reportagem questionou a Secretaria Municipal de Saúde sobre a orientação para que a idosa comparecesse diariamente à unidade em busca de um encaixe, considerando sua condição clínica e as dificuldades de locomoção. Até o fechamento desta matéria, a pasta não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
Enquanto aguarda a regularização do atendimento pela rede pública, a paciente já tem garantida a continuidade do tratamento graças ao apoio oferecido pela neurologista.