Pesquisadores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Ana Carolina Vilarinho e Rhainer Guillermo Ferreira publicaram estudo inovador sobre os desafios que a doença de Alzheimer impõe à saúde pública no Brasil. O trabalho, publicado no Value in Health Regional Issues, destaca o impacto econômico e social da doença, com foco no estado de Minas Gerais, conhecido por sua população envelhecida e alta prevalência da enfermidade.
Entre 2018 e 2022, os custos relacionados a internações e óbitos por Alzheimer representaram um peso significativo para os cofres públicos. O estudo aponta, porém, uma distribuição desigual de recursos, agravando os desafios regionais.
Usando a métrica de Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (DALYs, na sigla em inglês), os pesquisadores estimam que o real impacto do Alzheimer no estado é muito maior do que os dados oficiais indicam, devido à subnotificação e à falta de ações públicas adequadas.
A porcentagem de idosos, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a prevalência de doenças cardiovasculares foram identificados como fatores chave na intensificação da carga do Alzheimer. Esses elementos criam áreas de concentração geográfica (“hot spots”) para a prevalência e os custos da doença.
Apesar de ser um dos estados mais desenvolvidos do Brasil, Minas Gerais enfrenta disparidades no acesso à saúde e na alocação de recursos, o que aumenta a carga da doença em populações mais vulneráveis.
Os autores destacam a necessidade urgente de intervenções em saúde pública. Entre as medidas propostas estão o aumento no financiamento para diagnóstico precoce e tratamento; campanhas de conscientização sobre a doença; integração de programas de prevenção cardiovascular, e iniciativas comunitárias para reduzir o estigma e apoiar cuidadores.
“O Alzheimer não é apenas um desafio pessoal ou familiar. Trata-se de uma questão social que exige mudanças sistêmicas nas políticas de saúde pública”, afirma a pesquisadora Ana Carolina Vilarinho.
A doença de Alzheimer afeta mais de 40 milhões de pessoas no mundo, mas os países em desenvolvimento, como o Brasil, enfrentam desafios únicos. Este estudo não apenas lança luz sobre essas dificuldades, como também oferece um modelo para que gestores de políticas públicas desenvolvam intervenções custo-efetivas. Minas Gerais pode se tornar um exemplo para outros estados ao enfrentar de maneira proativa a crescente carga da doença.