MUITO ALÉM!

Inclusão escolar não se resolve só com vaga, alerta mãe de criança com TEA

Debate em Uberaba envolve falta de preparo, necessidade de apoio e adaptação da rotina nas escolas

Débora Meira
Publicado em 06/09/2026 às 09:25
Compartilhar
Em Uberaba, pelo menos 174 alunos da rede municipal já avaliados pela Educação Inclusiva aguardam a disponibilização de um profissional de apoio (Foto/Divulgação)

Em Uberaba, pelo menos 174 alunos da rede municipal já avaliados pela Educação Inclusiva aguardam a disponibilização de um profissional de apoio (Foto/Divulgação)

A inclusão de crianças com deficiência e transtornos do desenvolvimento vai além da garantia de uma vaga na escola. Em Uberaba, pelo menos 174 alunos da rede municipal já avaliados pela Educação Inclusiva aguardam a disponibilização de um profissional de apoio. O dado foi apresentado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) ao Sindicato dos Educadores Municipais de Uberaba (Sindemu), que estima a necessidade de mais 129 profissionais para atender a demanda identificada. 

O cenário foi discutido no programa Pingo do J, da Rádio JM, em entrevista com a jornalista e presidente da Associação Aviva, Jéssica Mundim, mãe de uma menina de sete anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Para Jéssica, um dos principais obstáculos à inclusão ainda é a falta de preparo para lidar com as diferentes necessidades das crianças. “Não tem profissionais preparados. Eu acho que a sociedade não está preparada, não está conscientizada o bastante para receber essas pessoas”, afirma. 

Segundo ela, a dificuldade não está restrita à rede pública. A família já passou por diferentes experiências na rede particular e, em uma das escolas, decidiu retirar a filha após uma situação que considerou preconceituosa. 

Hoje, em outra instituição, a experiência é diferente. Jéssica conta que a menina é acolhida pelos colegas e que as próprias crianças passaram a ajudá-la em situações do cotidiano. “Quando ela precisa ir ao banheiro, os coleguinhas dizem: ‘vamos no banheiro’. Isso deixa a gente, como mãe, muito feliz”, conta.  

A experiência fez com que Jéssica passasse a defender que a inclusão seja trabalhada com toda a comunidade escolar, e não apenas com o aluno que precisa de acompanhamento. 

Jéssica destaca que o Transtorno do Espectro Autista não apresenta um padrão único. As necessidades de suporte, comunicação, interação e aprendizagem podem variar de uma criança para outra. “Não existe um padrão. Até porque, quando se fala espectro, é porque anda ali dentro do espectro. São várias manifestações”, explica. 

Na avaliação dela, a escola precisa estar preparada para reconhecer essas diferenças e adaptar a rotina quando necessário. 

Uma das medidas defendidas pela presidente da Associação Aviva é a criação de espaços adaptados, como salas multissensoriais, mas ela ressalta que a estrutura física, sozinha, não resolve o problema. “Se cada escola dentro de Uberaba tivesse uma sala multissensorial ou salas adaptadas para atender apenas as pessoas dentro do transtorno do espectro autista, a gente teria uma evolução muito grande”, explica. 

Para que esses espaços funcionem, porém, também são necessários profissionais capacitados. “Se tem as salas multissensoriais, tem que ter profissionais preparados para lidar com essas crianças”, completa. 

A experiência da filha também mudou a percepção de Jéssica sobre a origem do preconceito. Para ela, as crianças podem aprender a conviver naturalmente com as diferenças quando recebem orientação dos adultos. “Preconceito existe. Muito. Mas mais por parte dos adultos. A criança não sabe o que é preconceito”, informa. 

Na visão da mãe, a convivência desde os primeiros anos de escola pode ajudar a construir uma relação mais natural entre alunos com e sem deficiência. “Quando as pessoas ensinam, as crianças fazem o correto”, afirma. 

Os dados da Educação Inclusiva mostram que 1.114 alunos da rede municipal já contam com profissionais de apoio, atendidos por 843 trabalhadores. A organização da rede permite que um mesmo profissional acompanhe até três alunos, conforme as necessidades individuais e as condições de atendimento. 

Por isso, os 174 estudantes que aguardam apoio não representam a necessidade de contratação de 174 profissionais. O Sindemu estima que seriam necessários mais 129 trabalhadores para atender a demanda atualmente identificada. 

Para Jéssica, entretanto, a presença do profissional de apoio deve ser entendida como parte de uma estrutura mais ampla de inclusão. A criança precisa ter condições de participar das atividades, conviver com os colegas e desenvolver autonomia dentro de suas possibilidades. 

A discussão, portanto, não se resume ao número de profissionais disponíveis. Envolve também preparo, estrutura e conscientização da comunidade escolar para que a inclusão aconteça no cotidiano. Para as famílias, a matrícula garante o acesso à escola, mas não encerra o desafio. É preciso garantir que a criança consiga estar, participar e aprender dentro dela.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por