UPA São Benedito precisou recorrer a equipamento reserva; gestão contabiliza 11 retenções em agosto
A retenção de macas de ambulâncias voltou a afetar o atendimento da rede de urgência e emergência de Uberaba em meio à pressão sobre as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM). Somente em agosto, as UPAs já registraram 11 ocorrências de retenção de macas. Nesta quinta-feira (13), três equipamentos ficaram retidos, enquanto uma maca da UPA São Benedito, que havia sido retida na segunda-feira (17), só foi liberada na manhã de terça-feira (18).
Segundo a gestão das UPAs, das três macas retidas no dia 13, uma permaneceu no hospital por mais de duas horas, outra por mais de três horas e uma terceira, que era utilizada como reserva, ainda não havia sido liberada no momento da manifestação da administração.
A gestão afirma que a situação tem sido recorrente e provocado atrasos no transporte de pacientes para outras unidades, podendo comprometer a assistência quando novas transferências são necessárias.
Para reduzir os impactos, as UPAs trabalham com duas macas em circulação e mantêm uma terceira como reserva, conforme o plano de contingência das unidades. A estratégia permitiu, por exemplo, que a UPA São Benedito mantivesse o transporte de pacientes durante a retenção registrada nesta semana.
A gestão da UPA São Benedito confirmou que uma de suas macas ficou retida no HC-UFTM às 9h50 de segunda-feira (17) e foi liberada às 6h15 de terça-feira (18), permanecendo no hospital por mais de 20 horas.
Segundo a unidade, a maca reserva foi utilizada durante o período e evitou prejuízos ao transporte de pacientes. Sem o equipamento de contingência, 11 atendimentos poderiam ter sido comprometidos, sendo cinco exames e seis transferências para outras unidades.
A administração das UPAs afirma que a retenção das macas é comunicada reiteradamente às autoridades responsáveis para que sejam tomadas as providências necessárias.
Em nota, o HC-UFTM informou que mantém contato contínuo com o Complexo Regulador Municipal da Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba, responsável pela regulação dos pacientes na instituição.
Segundo o hospital, durante períodos de alta demanda pode ocorrer a retenção de macas de ambulâncias. A devolução aos serviços de origem ocorre assim que possível, desde que não haja prejuízo à saúde dos pacientes internados e conforme o protocolo institucional.
A instituição também afirma ser o único prestador de serviço pelo SUS habilitado em Uberaba para atendimento de vaga zero, quando pacientes em situação de urgência ou emergência são encaminhados mesmo sem disponibilidade de vaga.
O hospital atribui à Secretaria Municipal de Saúde, como gestora do SUS na região do Triângulo Sul, a responsabilidade pela garantia da assistência à população e afirma manter discussões permanentes com a pasta para propor melhorias nos processos de trabalho.
A retenção das macas ocorre enquanto as unidades de pronto atendimento continuam registrando centenas de atendimentos por dia.
Entre os dias 1º e 15 de agosto, a UPA Mirante realizou 4.244 atendimentos, enquanto a UPA São Benedito registrou 4.689. No mesmo período de julho, foram 4.791 atendimentos no Mirante e 5.175 no São Benedito.
Até o dia 13 de agosto, a média diária era de 289 atendimentos na UPA Mirante e 318 no São Benedito.
Embora os números de agosto até o dia 15 sejam inferiores aos registrados no mesmo período de julho, a demanda continua elevada, com as duas unidades somando quase 9 mil atendimentos na primeira metade do mês.
A nova sequência de ocorrências acontece poucos dias depois de outro episódio registrado em 13 de agosto. Naquela ocasião, duas macas de ambulâncias da UPA São Benedito ficaram retidas no HC-UFTM após o transporte de pacientes.
O hospital confirmou, na época, que a Unidade de Urgência e Emergência apresentava volume de pacientes acima da capacidade estrutural de leitos.
A instituição explicou que, em períodos de maior procura, alguns pacientes podem permanecer temporariamente em macas, o que provoca a retenção de parte dos equipamentos das ambulâncias.
O HC informou ainda que solicita vagas externas quando há indicação clínica e, após a liberação, aciona outras instituições, como a UPA São Benedito, para a retirada das macas.
A retenção desses equipamentos é um problema recorrente na rede. Entre setembro e dezembro de 2025, a gestão das UPAs contabilizou 68 ocorrências. Outros 16 casos haviam sido registrados no início de 2026.
A Prefeitura também anunciou medidas para tentar ampliar a disponibilidade de leitos, entre elas a abertura temporária de 15 leitos de clínica médica no Hospital Regional José Alencar e um protocolo para agilizar a alta de pacientes que não precisam mais permanecer internados.
Apesar das medidas, a sequência de retenções registrada em agosto mostra que a pressão sobre a capacidade de atendimento continua repercutindo no transporte de pacientes e na disponibilidade das macas utilizadas pelas ambulâncias.
A gestão das UPAs reafirma que trabalha para manter uma assistência segura e afirma que continuará comunicando as ocorrências às autoridades competentes.