De acordo com o presidente da Cohagra, Marcos Jammal, cerca de 20% das pessoas que se inscrevem no programa perdem o direito a obter uma unidade após ser investigadas
Cerca de 22 mil pessoas estão na lista da Cohagra à espera para obter casas pelo programa do governo federal Minha Casa Minha Vida. No Residencial Jardim Anatê II, por exemplo, um dos empreendimentos em andamento e que vai disponibilizar 500 unidades, aproximadamente 200 pessoas chamadas para apresentar documentos tiveram os processos rejeitados. Umas por não se adequarem mais aos critérios de renda da faixa e outras porque mentiram dados.
De acordo com o presidente da Cohagra, Marcos Jammal, cerca de 20% das pessoas que se inscrevem no programa perdem o direito a obter uma unidade após ser investigadas pela Caixa Econômica Federal porque informaram incorretamente seus dados e outros 30%, por deixarem de atualizar as informações, o que deve ser feito a cada dois anos em qualquer Cras (Centro de Referência de Assistência Social) da cidade. “Tomamos conhecimento no Anatê que, das pessoas chamadas, 69 foram cortadas imediatamente pelo banco em função da renda e outro grupo foi chamado. Do total, cerca de 250 pessoas foram cortadas porque mentiram. Falava que tinha alguma necessidade especial e não tinha, informava não ter imóveis e tinha, dizia que não era casada e descobrimos que havia um amásio e os imóveis estavam no nome dele; informava problema de saúde e, ao verificar, víamos que era laringite, o que não é doença crônica, ou informava renda inferior à verdadeira, etc.”, explica.
Há casos em que a pessoa inventou uma renda para conseguir um financiamento para a compra de um carro, o que foi detectado na avaliação e atrapalhou o cidadão a se enquadrar nos critérios do programa. Jammal esclarece que todos que se inscrevem passam por seis crivos de investigação, dos quais não é possível se safar e é difícil burlar. Primeiro há um sorteio igualitário dos inscritos, sendo que a Portaria nº 595, do Ministério das Cidades, proíbe a separação por tempo de inscrição. Depois, a lista é enviada à Caixa e é feita a primeira aferição de renda.
As pessoas da segunda lista trazem a documentação e passam por um pente-fino da Cohagra, a qual avalia se elas moram em Uberaba há pelo menos três anos, se não possuem outros imóveis e casos de pai ou mãe solteiro com filho menor ou com encaminhamento da Delegacia da Mulher ou de medida protetiva. Os nomes são publicados em edital com três meses de antecedência para que a sociedade denuncie a existência de fraudes, o que já gerou sucesso. Além disso, o Ministério Público acompanha o processo e a Caixa ainda faz uma segunda avaliação da renda atualizada.