O Aeroporto Mário de Almeida Franco, em Uberaba, está próximo de concluir as obras de ampliação e modernização, mas os dados de movimentação do terminal apontam redução no número de passageiros em 2026. Entre janeiro e maio deste ano, o aeroporto registrou queda de 35,1% no fluxo de viajantes em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo dados estatísticos da Aena Brasil, concessionária responsável pelo aeroporto, Uberaba recebeu 28.939 passageiros nos cinco primeiros meses de 2026. A redução foi registrada em todos os meses analisados, com as maiores quedas em janeiro, quando o movimento recuou 47,7%, e fevereiro, com redução de 40,7%.
O número de operações também apresentou retração. No acumulado do ano, foram registrados 2.323 pousos e decolagens, volume 11,2% menor que o contabilizado no mesmo período de 2025.
A redução ocorre enquanto o terminal passa por uma das maiores intervenções estruturais desde a construção do aeroporto. As obras começaram em janeiro de 2025 e incluem a ampliação do terminal de passageiros, que deve passar de cerca de 1,5 mil metros quadrados para 4,3 mil metros quadrados, além do aumento da capacidade anual de atendimento de 96 mil para 222 mil passageiros.
Questionada sobre o andamento das obras, a Aena Brasil informou que “em relação às obras, estão em fase de conclusão com a entrega prevista para os próximos dias”.
O projeto também prevê ampliação da pista de pouso em 70 metros, implantação de áreas de escape, novos equipamentos de auxílio visual para aproximação das aeronaves, ampliação da área de inspeção por raio-X e mudanças no pátio de aeronaves.
Apesar dos investimentos na estrutura, o terminal ainda enfrenta o desafio de recuperar a movimentação e ampliar a oferta de voos. No mesmo período, o Aeroporto de Uberlândia, também administrado pela Aena, registrou crescimento de 12,1% no número de passageiros.
Em 2025, a concessionária havia informado que a queda no movimento de Uberaba estava relacionada à redução de rotas para São Paulo, após a interrupção de voos para Campinas e Congonhas. A expectativa era de retomada com a ampliação da malha aérea e novas conexões, como o voo para Guarulhos.
As obras também foram acompanhadas por reclamações de moradores do entorno do aeroporto, principalmente durante períodos de chuva. Em março deste ano, moradores do bairro Umuarama relataram problemas com lama e alagamentos em ruas próximas ao terminal.
Na ocasião, a Aena informou que adotava medidas de controle, como construção de bacias de contenção dentro da área do aeroporto, reforço de barreiras físicas, monitoramento do escoamento das águas pluviais e ações de limpeza após episódios de chuva intensa.
Segundo a concessionária, um novo sistema de drenagem aeroportuária faz parte das intervenções em andamento e deve ser concluído junto com as obras gerais.
Com a entrega da modernização, o aeroporto terá uma estrutura maior e capacidade ampliada. Os dados de 2026, porém, indicam que o aumento físico do terminal dependerá também da retomada da demanda e da ampliação da oferta de voos.