CUIDADO

Médico alerta para risco de retatrutida vendida sem registro, inclusive em Uberaba

Substância ainda está em pesquisa e não deve ser usada fora de canais regulamentados

Débora Meira
Publicado em 13/09/2026 às 07:58
Compartilhar

A retatrutida tem ganhado espaço nas redes sociais e no mercado paralelo como uma suposta nova opção para emagrecimento, mas a substância ainda não está oficialmente disponível como medicamento. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o médico Arnaldo Júnior alertou para os riscos de produtos vendidos com o nome da retatrutida, principalmente quando adquiridos fora dos canais regulamentados. 

A retatrutida ainda está em fase de estudos clínicos e, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não possui registro para comercialização. Em julho deste ano, a agência informou que o fabricante ainda não havia solicitado o registro do medicamento no Brasil e que a substância continuava sendo investigada quanto à segurança e eficácia. 

Mesmo sem aprovação, produtos anunciados como “retatrutida” já circulam no mercado. Em fevereiro, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso de produtos identificados como “Retatrutide 40 mg”, de todas as marcas e lotes. Segundo a agência, os produtos eram de origem desconhecida e não ofereciam garantia sobre composição ou qualidade. 

Em entrevista ao Pingo do J, Arnaldo chamou atenção justamente para esse tipo de situação. Segundo ele, o consumidor pode acreditar que está adquirindo determinada substância sem ter garantia sobre o conteúdo ou a concentração do produto. “Ela está em estudo ainda. Então, hoje, se você encontra uma retatrutida sendo vendida, ela não é uma medicação que está disponível oficialmente”, explica o médico. 

O alerta ganha importância porque produtos comercializados pela internet ou por meio do chamado mercado paralelo podem não passar pelos mesmos controles aplicados aos medicamentos regularizados. Sem controle e fiscalização sanitária, não há garantia de que o conteúdo corresponda ao que está indicado no rótulo. 

A própria Anvisa alerta que produtos irregulares podem apresentar problemas de composição, dosagem, fabricação e armazenamento, além de conter substâncias diferentes das anunciadas. 

Para Arnaldo Júnior, o risco não está apenas na possibilidade de o produto não produzir o efeito esperado. Quando uma pessoa utiliza uma substância sem conhecer sua procedência ou concentração, também fica mais difícil prever seus efeitos no organismo. “Se você compra uma coisa que não tem registro, você não sabe exatamente o que está comprando. Você não sabe a dose, não sabe como aquilo foi produzido e não sabe se aquilo realmente tem aquilo que está escrito ali”, afirma. 

Diferentemente de medicamentos já aprovados para determinadas indicações, a retatrutida ainda passa por etapas de pesquisa para determinar sua segurança e eficácia. Antes de uma eventual aprovação, são avaliados aspectos como doses, efeitos adversos, interações e condições de uso. 

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) também informa que a retatrutida não integra nenhum medicamento aprovado. A substância continua sendo estudada para possíveis aplicações, inclusive no tratamento da obesidade. 

A popularização de uma substância ainda em investigação, segundo Arnaldo, reforça a necessidade de cautela com produtos divulgados na internet como alternativas para emagrecimento. “O fato de estar sendo estudado não quer dizer que seja uma medicação que você já possa usar. Existe todo um processo para saber se aquilo realmente é seguro, qual é a dose e para quem pode ser indicado”, explica. 

A preocupação com a comercialização irregular também chegou às operações de fiscalização. Em abril, a Anvisa e a Polícia Federal realizaram a Operação Heavy Pen, voltada ao combate à entrada irregular, produção clandestina e comercialização de medicamentos e insumos destinados ao emagrecimento. Durante as ações, produtos identificados como retatrutida foram encontrados em três estados. 

O caso reforça a diferença entre uma substância que está sendo pesquisada e um medicamento aprovado pelos órgãos reguladores. A existência de estudos clínicos ou a divulgação de resultados preliminares não significa que o produto esteja liberado para uso pela população. 

A orientação é evitar produtos anunciados como retatrutida fora dos canais oficiais e não utilizar substâncias ou medicamentos para emagrecimento por conta própria. Produtos sem registro não passam pelas mesmas avaliações e controles exigidos para medicamentos regularizados.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por