Rodrigo Molina destaca que a projeção fortalece o ensino, a pesquisa e a assistência em Uberaba; entre os desafios da gestão estão as doenças persistentes, como HIV, tuberculose e sífilis
Médico uberabense Rodrigo Molina e a diretoria que assume o biênio 2026/2027 da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) (Foto/Reprodução)
O médico infectologista uberabense Rodrigo Molina acaba de assumir cadeira na diretoria da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), eleita para o biênio 2026-2027. Na presidência está o médico Ricardo Diaz, docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e referência nacional em Infectologia e Pesquisa Clínica.
Molina destaca que o reconhecimento atinge também o Hospital de Clínicas da UFTM (HC-UFTM), unidade onde é gerente administrativo. Para ele, a projeção fortalece o ensino, a pesquisa e a assistência, além de aproximar a instituição das principais diretrizes e decisões estratégicas da Infectologia no país. “É um reconhecimento institucional importante para o HC-UFTM e para Uberaba”, comenta.
O médico explica que os principais desafios enfrentados pelos infectologistas no Brasil, atualmente, são o controle de doenças persistentes como HIV, tuberculose e sífilis. “As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) seguem sendo problemas relevantes de saúde pública. Ainda há diagnóstico tardio, transmissão ativa e impacto social significativo. Na região, o cenário exige intensificação de testagem, tratamento oportuno, seguimento adequado e políticas contínuas de prevenção, especialmente na atenção básica”, destacou.
Ainda conforme Molina, um dos focos da nova diretoria é fortalecer redes de pesquisa colaborativa, promover inovação em vigilância epidemiológica, qualificar o cuidado em HIV, tuberculose e ISTs, além de incentivar o uso racional de antimicrobianos. “A ideia é aproximar ainda mais ciência, assistência e gestão, com impacto direto no SUS. O foco será levar informação e conhecimento aos infectologistas, o que também ajuda a combater a disseminação de ‘fake news’ sobre doenças e vacinas”, afirmou.
Sobre a possibilidade de uma endemia de dengue neste ano, o médico avalia haver riscos elevados, uma vez que a doença é sazonal e o perigo de epidemias permanece. Segundo ele, a prevenção depende principalmente do controle do mosquito, eliminação de criadouros, ações comunitárias, proteção individual e, quando indicado, vacinação conforme as diretrizes do SUS. “A vigilância precoce é fundamental para evitar agravamentos. Em Uberaba, é necessária atuação contínua na prevenção, e não apenas nos períodos de pico de casos”, ressaltou.
A Infectologia, conforme o médico, é essencial para o Sistema Único de Saúde (SUS) por atuar na prevenção, no controle de epidemias, na vigilância, no uso adequado de antimicrobianos e na organização das linhas de cuidado. Trata-se de uma especialidade-chave para garantir eficiência, segurança e resposta rápida aos desafios sanitários atuais e futuros.
O médico também destacou que, em 2027, a nova diretoria irá sediar o Congresso Brasileiro de Infectologia em Belo Horizonte, colocando Minas Gerais em evidência no cenário nacional da especialidade.
Em 2025, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Uberaba informou que, entre janeiro e novembro, foram realizados 57.771 testes rápidos, com 15.479 usuários atendidos, aumento de mais de 99%, segundo balanço divulgado pelo órgão. Do total de exames realizados, 224 apresentaram resultado positivo para HIV, sendo 15 apenas no mês de novembro.