Trabalhadoras dizem que empresa não apresentou previsão para regularizar os pagamentos
Mais de 100 merendeiras que atuam em escolas da rede municipal de Uberaba estariam sem receber o salário, segundo informações repassadas ao Jornal da Manhã por uma das trabalhadoras. Os vencimentos deveriam ter sido depositados na terça-feira (7), mas, até esta quinta-feira (8), o pagamento não havia sido efetuado. As profissionais são vinculadas à empresa terceirizada Soluções, responsável pelo serviço de alimentação escolar no município, e afirmam que, ao questionarem a empresa, foram informadas de que não há previsão para o pagamento. Procurada pelo JM para esclarecer o atraso, a empresa não havia respondido até a publicação desta matéria.
Além da incerteza sobre a data em que receberão, as trabalhadoras afirmam que o atraso provoca consequências financeiras imediatas, já que compromissos continuam vencendo mesmo sem o salário. Segundo uma das merendeiras, a falta do pagamento na data prevista faz com que as dívidas acumulem encargos. “Mais uma vez não foram efetuados o pagamento na data correta e nisso nossas contas vão só acumulando juros. Desse jeito não dá”, relata uma das trabalhadoras ao JM.
Segundo as merendeiras, os atrasos têm se tornado recorrentes. Uma delas afirma que a situação tem ocorrido com frequência e que, desta vez, a empresa não apresentou sequer uma previsão para regularizar os salários. “Os salários atrasam mês sim e mês não. Nós questionamos a empresa e eles falaram que não sabem quando vão pagar”, afirma outra profissional.
A situação, de acordo com os relatos, tem impacto direto no orçamento das trabalhadoras, que precisam manter despesas como aluguel, alimentação, contas domésticas e outros compromissos financeiros mesmo sem receber o salário na data prevista.
O novo atraso ocorre após outros relatos semelhantes feitos pelas trabalhadoras ao longo de 2026. Em junho, merendeiras também procuraram o JM para denunciar a falta de pagamento. Na ocasião, elas informaram que os salários foram depositados somente no dia 15, após dias de cobranças e incerteza.
Naquele período, as profissionais também relataram preocupação com a possibilidade de não conseguirem honrar compromissos básicos e afirmaram que continuavam trabalhando normalmente apesar do atraso.
Com o novo episódio, as trabalhadoras voltam a cobrar informações sobre a regularização dos pagamentos e maior previsibilidade por parte da empresa.
O Jornal da Manhã procurou a empresa Soluções, cuja sede fica em Guarulhos (SP), para questionar o novo atraso salarial, o número de trabalhadoras afetadas, a recorrência dos episódios relatados pelas funcionárias e a previsão para pagamento dos salários. Até a publicação desta matéria, não houve retorno da empresa. O espaço permanece aberto para manifestação.