Minas vai receber mais de R$500 mil para a campanha, mas Uberaba não se enquadra entre os municípios em situação de risco
Neto Talmeli
Conforme o diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Robert Boaventura de Souza, o município mantém o monitoramento em torno da doença
Ministério da Saúde está destinando recurso da ordem de R$16 milhões, que serão repassados em parcela única aos Fundos Municipais de Saúde, por meio da Portaria 1.231/2016. Objetivo é fortalecer a realização da Campanha Nacional de Hanseníase, Verminoses, Tracoma e Esquistossomose de 2016. Para Minas Gerais, serão destinados R$572.433,93 a 187 municípios. Uberaba não está entre eles, mas a Secretaria Municipal de Saúde afirma que isso não impede as unidades de implementarem as ações de rastreio e tratamento o ano todo.
A campanha tem como objetivo identificar casos de hanseníase por meio de busca ativa em crianças em idade escolar com sinais e sintomas da doença. Além da identificação, há também a prestação do tratamento quimioprofilático de verminoses, diagnóstico e tratamento do tracoma e tratamento coletivo para esquistossomose em localidades com percentual de positividade acima de 25%.
Segundo o diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Robert Boaventura de Souza, a Secretaria Municipal de Saúde cumpriu os trâmites para solicitar o recurso, mas o município não foi selecionado por não atender a outros critérios necessários para a destinação da verba. “Fizemos a inscrição do município, mas a seleção passa por critérios de municípios prioritários, como ter participado na campanha de 2015, e nós participamos; ter altas cargas das doenças, pois valorizam o envio do recurso para municípios com maior número de registros das doenças na cidade; o baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e, como o de Uberaba é alto, isso nos desclassificou; e a cobertura inadequada de saneamento, ou seja, de água encanada, tratamento de esgoto, descarte de lixo e o percentual de população e crianças vivendo em condições de pobreza”, explica.
Ainda de acordo com Robert Boaventura, a desclassificação do município nos critérios da portaria do Ministério da Saúde somente impediu que Uberaba recebesse o recurso destinado à realização da campanha, que foi destinado aos municípios com maior necessidade de ações de saúde. No entanto, o diretor ressalta que isso não impede o município de continuar realizando o acompanhamento. “A hanseníase, por exemplo, é uma doença que não está extinta, ainda se apresenta na cidade, e, por isso, temos que tratar e acompanhar, pois tem cura”, reforça o diretor.
Em 2015, foram confirmados 19 casos de hanseníase em Uberaba. Este ano, outros 11 casos receberam resultado positivo para a doença, mas os pacientes estão em tratamento ou já receberam alta.